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segunda-feira, 22 de abril de 2013

A despedida


A última noite não foi nada fácil para nós dois. 
A última imagem, em 20/04/2013
O incômodo já era grande demais e as patas
dianteiras também perdiam a força. Fiz macarrão com cenoura e espinafre para ele e coloquei um sachê de carne junto. Anúbis, que adora macarrão, comeu aos poucos. Foram três tentativas com intervalos de pelos menos meia hora até ele terminar de comer uma porção pequena, e que até algumas semanas antes,
devoraria em um só bocado. Dos mais de 23kg que ele pesava quando a doença começou, em meados de janeiro, ele já estava com 19,2 kg. Incrível que mesmo tendo emagrecido e com quadro de dor ele continuava lindo, com pelo sedoso e orelhas atentas.

Surgiu também uma secreção nos olhos. Parecia que o corpo dele perdia toda a hidratação e o estômago estava um pouco inchado. A noite de domingo para segunda foi incômoda para ele. Notei que mesmo eu tendo colocado uma almofada sob a cabeça dele para facilitar a respiração, ela era difícil. Acordei duas ou três vezes ouvindo-o ofegante.

Logo cedo, Anúbis tomou bastante água, comeu um pedaço de queijo meio sem vontade e fomos até a clínica veterinária. Lá, ele nem mais os ombros quis levantar. Levantava só o pescoço e demonstrava muito cansaço.  A veterinária disse que clinicamente o quadro dele piorara muito e que agora já não era somente o problema da mobilidade. Que mesmo tomando água suficiente, o corpo já não estava mais aproveitando. O estômago inchado e as fezes como pedra mostravam sinais de os rins estarem em processo de falência e que o pulmão dele já estava começando a sofrer pela falta de mobilidade.

Ela não poderia afirmar quanto tempo ele teria de vida, mas disse que a mobilidade não se reverteria, nem parcialmente e o risco de eu chegar um dia em casa e ele ter morrido sufocado seria cada vez maior. Diante da agonia de morrer sufocado e cheio de dores e a possibilidade de propiciar uma passagem mais tranquila para ele, fiz a segunda opção. A veterinária me garantiu que o processo de eutanásia seria indolor e que o corpo dele seria tratado com respeito. Então, às 9h do dia 22 de abril, eu me despedi dele.  Acho que o mais difícil em tudo isso foi o fato de que a cabecinha dele estava muito boa. Totalmente consciente, atento e reagindo a tudo que acontecia. Isso complica muito na hora da decisão. Pareciam dois cães. Um do pescoço para baixo, quase inerte, e outro do pescoço para cima, esperto como sempre foi. Obrigada por tudo Anúbis, por quase 12 anos de muito carinho e companhia.

domingo, 21 de abril de 2013

Alteração no quadro

Depois de se divertir alguns dias a bordo do seu Fórmula 1, o quadro do Anúbis apresentou piora significativa. Ele já não conseguia mais se sustentar sentado. Assim como quando ele parou de andar, foi de uma hora para outra. Eu o colocava sentado e ele caía. Estava paralisado das axilas para baixo, sem fome e sem vontade de tomar água. Mexia as patinhas dianteiras, mas não levantava.

Foram dois dias assim, praticamente sem se mexer e comendo pouco.  Como ele não melhorava resolvi levá-lo a clinica veterinária, na manhã seguinte. Acho que eu protelei dois dias porque receava receber o diagnóstico final.  Na noite anterior dormi na sala, pois levá-lo para o andar de cima da casa seria muito sacrificado para nós dois.  Deixei-o comer tudo que ele gosta: fiz macarrão com cenoura e brócolis, sachê de carne, queijo branco e dei até um pedaço de bolo de milho caseiro.

Acordei toda torta na manhã seguinte por ter dormido no sofá. Lá fomos nós até a clínica veterinária. Havia duas possibilidades de diagnóstico: a doença ter piorado e comprometido mais áreas da coluna ou ele estar em uma crise de dor.

Coquetel de remédios


Duas semanas com um coquetel de remédios iriam dizer.  No total eram 11 comprimidos por dia, pois dois remédios precisavam de três doses diárias e ele precisava também de protetores gástrico e intestinal para aguentar a dose: corticoide e até um remédio a base de morfina para passar a dor.

Nos primeiros dias ele se animou, comeu bem melhor e tomou bastante água. Eu o colocava em posição de esfinge para poder comer e beber, e assim ele ficava. Era a posição que menos comprometia os sistemas respiratório e cardíaco. Essa fase implicou em uma nova mudança na minha rotina, pois eu precisaria passar mais vezes em casa, principalmente para dar água para ele. Foi muito complicado. Se por um lado ele não se arrastava mais pela casa toda derrubando tudo, por outro eu precisava ficar mais em casa principalmente por causa da água.

A veterinária deu poucas esperanças de ele voltar a sentar. Disse que mesmo que isso acontecesse ele ficaria menos bagunceiro. Segundo ela, a fase de se enganchar nos móveis e rasgar constantemente a fralda era uma espécie de “revolta”. Que agora ele já estaria se acostumando com a nova condição.

Música para relaxar


O comportamento do Anúbis oscilou muito nesses dias. Havia momentos em que ele parecia animado, esticando o pescoço quando eu abria a porta de casa, enquanto em outros ficava olhando para o nada sem se mexer.  Algumas noites ele ficava quietinho enquanto em outras eu o ouvia mexendo as patas dianteiras tentando ganhar impulso para levantar, mas sem sucesso.

Para diminuir o tédio, quando saía de casa, passei a deixar um CD tocando.  Ele ganhara da antiga passeadora um CD chamado “Relaxing Dog”, com músicas especialmente compostas para a audição canina misturadas com sons da natureza, e que prometia acalmar o animal. Anúbis parecia gostar.

Se por um lado ele se sujava bem menos e não fazia mais bagunça, eu precisava estar mais presente.  Preocupavam-me os dias em que eu teria de ir para São Paulo e passar muitas horas fora. Ele ficaria muito tempo só, principalmente sem tomar água. Mas a veterinária disse que seu eu garantisse duas boas doses de água por dia, uma pela manhã e outra à noite ele ficaria minimamente hidratado.

Foram dez dias nessa rotina. Ainda bem que em uma época que eu pude me ausentar apenas em períodos mais curtos. Mas nem sempre seria assim.  No final da primeira semana ele piorou um pouco. Para ficar em posição de esfinge precisava agora ser ancorado pelas almofadas. A antiga passeadora emprestou uma almofada em forma de “rolinho” que eu alinhava com a coluna dele para deixá-la o mais ereta possível, quando ele estava deitado.

Liguei para a veterinária e ela pediu para levá-lo no fim da semana seguinte. Não deu tempo de esperar, pois o estado de saúde dele piorou. No sábado, como ele estava amuado, decidi deixá-lo observando o movimento no condomínio. Deixei a porta da casa aberta e o coloquei deitado em um edredon em posição que ele pudesse ver bem a rua, já que moramos em uma casa estilo americano, sem muros, nem portões.

Cachorros e crianças


Deixava-o sempre com a cabeça em cima de uma almofada alta para facilitar a respiração e o virava de tempos em tempos. Nem a criançada brincando na rua, nem outros cachorros passeando pelo condomínio o animaram muito. As fezes e a urina também mudaram.  Fezes muito escuras, secas e duras como pedras. A urina voltou a ficar presa na bexiga como nos primeiros dias da doença dele, em janeiro. Mas, dessa vez, não foi necessária a sonda.  Na hora de trocar a fralda, eu comprimia a bexiga dele até esvaziar.

No domingo a situação piorou, pois ele passou a se automutilar, talvez por estresse, talvez por dor. O corpo já tinha escaras dos dois lados e a lambedura foi tão intensa que ultrapassou as camadas de pele deixando uma mancha em carne viva. Passei óleo de amêndoa nas lambeduras e um óleo especial nas escaras.

Duas semanas antes eu havia feito uma pequena cirurgia no rosto e estava usando um óleo especial para cicatrizar sem deixar marcas. Como o vidro era grande, resolvi dividir o remédio com Anúbis, passando esse mesmo óleo nas escaras na altura do fêmur.  Vi que não daria para esperar o prazo dado pela veterinária. Resolvi levá-lo novamente na manhã seguinte.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

“Acelera” Anúbis!


O blog do Anúbis fez mais sucesso do que eu esperava. Em dois meses ele teve mais acessos do que o meu em um ano e meio. Graças à grande quantidade de compartilhamentos pelo Face e à minha amiga Carolina Rubinato que divulgou um release sobre o blog em alguns veículos de comunicação, com o intuito de ajudar quem passa pela mesma situação. Só em uma comunidade sobre saúde animal foram 140 compartilhamentos.

Um grupo que vem acompanhando de perto e torcendo muito por ele é o Turismo 4 Patas. Um pessoal divertido que faz esportes de aventura levando seus cães junto. Eu mesma já fiz rafting com a Raposinha junto com eles. Anúbis, inclusive, ficou doente dois dias antes de fazer uma trilha pela Mata Atlântica com o grupo.

Anúbis e a madrinha Aglaé
E foi justamente a Aglaé, uma simpatizante do 4 Patas, quem fez toda a diferença na história do Anúbis. Ao ler as a aventuras dele no blog, ela me procurou oferecendo um vet car que havia sido de uma rotweiller de uma amiga dela e que já falecera.

Vet car é o melhor carrinho para cães que existe. Sua ergonomia permite que, além de andar apoiado, ele
faça alguns exercícios de fisioterapia. Não acreditei quando li a mensagem. Tive de ler pelo menos duas ou três vezes para crer que era verdade. Anúbis de vet car! Para ser perfeito tinha de servir e a Aglaé morar em uma distância razoável. Apesar de que eu pegaria esse carrinho nem se fosse do outro lado do País. Fizemos contato e não podia ser mais perfeito. Era só pegar a
estrada e em 20 minutos eu estava na casa dela em Alphaville , em Barueri, município próximo a Cotia, onde moro.

Banhinho tomado, fraldinha limpa, escova nos pelos e lá fomos nós até Alphaville.  Eu fiz questão de levá-lo para que Aglaé o conhecesse e visse que todas as histórias do blog correspondiam à realidade. Foi empatia a primeira vista. Lembrando que Anúbis é um pouco resistente no primeiro contato. Que nada. Permitiu até ganhar um beijinho na testa (confesso que nesse momento perdi o fôlego com medo de ele mordê-la no rosto).

Sob medida

E veio o carrinho. Absolutamente perfeito. Parecia feito para ele. O colocamos com todo cuidado acreditando que ele precisaria de um tempo para se adaptar. Que nada! Mal fechei a última correia ele saiu em disparada com o carrinho pela rua. Assim como aqui na Granja Viana (Cotia), em Alphaville as casas são praticamente todas dentro de condomínios e não costumam ter muros nem portões. Anúbis desceu a rua como se fosse morador de Alphaville  há anos. Entrou no jardim alheio sem cerimônia. Ele estava eufórico e parecia sorrir. Foi difícil conter as lágrimas de ver tanta vivacidade nele.  Com o carrinho, Anúbis começava a redescobrir o mundo, de um jeito diferente.

Para dar melhor sustentação à estrutura do carrinho – feita em alumínio especial muito leve e resistente – as rodas são grandes e ficam afastadas do corpo do cão. Com isso, Anúbis não tem muita noção da sua nova largura. “Enroscar” em plantas, pés de mesa e na porta se tornou comum.



Anúbis ficou empolgado com a novidade. Andou e correu tanto que dormiu a tarde toda. Nos dias subsequentes se arrastava até o carrinho e ficava sentado me olhado como quem diz: você não vai me levar para passear? Como as ruas da Granja são antigas estradas vicinais urbanizadas, calçadas aqui não são encontradas com muita facilidade e muitas das que existem são bem estreitas.

Diante disso seria, pelo menos nos primeiros tempos,   recomendável andar somente dentro do condomínio. Quando as crianças deixam, pois chegar a qualquer lugar com um cão de cadeira de rodas é chamar a atenção para muitas perguntas e conversas.

O carrinho só pode ser usado uma pequena parte do dia (uma veterinária recomendou, no máximo, três horas por dia para o Anúbis) Isso porque o cão – principalmente quando de porte maior – não consegue deitar usando o carrinho.  “Acelera” Anúbis! Vai que o mundo é seu!

terça-feira, 9 de abril de 2013

A escolha do carrinho


Definida a situação de que Anúbis não voltaria mais a andar, chegou o momento de providenciar uma cadeira de rodas canina para ele. Outra maratona. As fábricas não ficam em São Paulo. A mais perto que achei era a quase 400 km. Elas mandavam uma ficha para preencher com as medidas do cão e depois mandavam o carrinho pelo correio. Não ficou bom? Problema do dono que “não tirou as medidas” direito. Isso era bem claro na maioria dos sites.

Investimento alto – em média R$ 800 reais para amargar um produto sem troca caso não se ajustasse ao cachorro. É certo que todos eles vêm com alguns parafusos para apertar mais ou soltar um pouco dando certa flexibilidade de tamanho ao veículo, mas confesso que fiquei receosa. Continuei procurando até que achei duas opções: fazer um carrinho em casa ou contar com a boa vontade de uma veterinária mineira que criou um carrinho feito com canos de PVC, os quais ela só cobraria material e Sedex, pouco mais de 100 reais. Depois descobri que há outros trabalhos semelhantes mais perto.

Fiquei com medo das medidas não ficarem justas então optei por baixar dois projetos de carrinho pela
Há modelos sofisticados
internet e fazer em casa mesmo. Estudei os projetos, mas vi que seria complicado montar sozinha. Conversei então com um amigo que mora em Jarinu, cerca de 100 km de Cotia e que talvez pudesse me ajudar. Além de ser jeitoso, ele tem um filho especial que anda de cadeira de rodas e para quem ele já teve de adaptar diversos equipamentos.

Além da distância tínhamos um problema de agenda, pois o maior fluxo de trabalho dele é aos sábados e domingos enquanto durante a semana complicava para mim. Decidi então conversar com a veterinária de Minas Gerais e pedir para ela fazer o carrinho para ele. 

E outros bem mais simples
Eu e uma veterinária aqui de Cotia tiramos as medidas dele, mas as duas estavam muito inseguras, pois é difícil medir um animal parcialmente inerte. As patas de trás estavam moles. Qual seria o comprimento certo dessas patas se ele ficasse em pé, entre outras dúvidas. Mandei fazer o carrinho, mas como eu temia, as medidas não bateram. 

Foi um pouco frustrante na hora em que fui experimentar, mas entre os modelos oferecidos eu escolhi o que
foi melhor dentro das minhas possibildades. Isso porque como o carrinho é feito com canos de PVC, se alguma parte não ficou adequada dá para refazer em casa mesmo, o que precisaria ser feito com o carrinho do Anúbis, uma adequação na altura. Outra jogada inteligente dessa veterinária mineira é que ela manda as peças do carrinho apenas encaixadas, então se precisar fazer algum ajuste fica fácil, pois você cola o carrinho somente quando ele já está ok.

A veterinária Renata Cobo faz
carrinhos a preço de custo
Um rapaz que trabalha com cães se ofereceu para fazer o ajuste no carrinho. Ele foi super atencioso, e teve boa vontade diante de outras pessoas que, mesmo podendo, me viraram as costas nesse período. Só que o Anúbis continuava sem mobilidade porque o ajuste feito novamente não deu certo. O que eu não sabia nessa época é que um milagre estava prestes a acontecer.

Projetos de carrinho para fazer em casa:


Vídeos que ensinam a fazer cadeirinhas:


Pessoas que fazem carrinhos a preço de custo:


Fábricas de carrinhos:

http://www.vetcar.com.br/

Páginas no Face sobre animais com problemas de locomoção ou que precisam de fisioterapia:


Dicas de uma outra proprietária de cão paraplégico:





terça-feira, 26 de março de 2013

Nova rotina, de novo



Com a mudança para dentro de casa e usando fraldas a rotina de cuidados também mudou. Conforme vamos pegando prática novos procedimentos e materiais surgem.  Para facilitar a vida, separei uma caixa de papelão em que coloquei todos os produtos de uso diário dele. Assim era só pegar a caixa em cima da estante hora de fazer a higiene.

Para que ele ficasse mais confortável e mais limpo dentro de casa, passei a fazer mais um ritual matinal diário: aquecer água e colocar em um pequeno balde com vinagre. Comprei algumas toalhinhas de mão em uma loja popular. Passei a molhar essas toalhinhas na mistura de água morna e vinagre e esfregá-las levemente no corpo dele da cintura para baixo retirando assim qualquer resto de urina que poderia ter ficado na barriga, nas pernas ou impregnada nos pelos (veja o passo a passo). Panos cirúrgicos ou fraldas de pano também são excelentes.
Depois secar com a toalha
e passar lencinhos umedecidos.
Finalizar com óleo de amêndoas

Depois dessa higienização primária, secava com uma toalha para depois passar os lencinhos umedecidos e, em seguida, óleo de amêndoas para 
Lavar com água morna, vinagre
usando pano absorvente
hidratar a pele, agora mais frágil com pelos tosados e quase sempre coberta pelo plástico da fralda.  E, todos os dias, uma limpeza no chão da área cercada usando  água e desinfetante, já que a fralda recolhe apenas urina. Os banhos que eram eventuais passaram a ser quinzenais. Descobri uma pet shop móvel em que a van toda equipada vem dar banho no cão em casa. Um sofrimento a menos com o transporte.

Kit passeio


Para sair de casa com ele também aprendi a montar um kit. Em uma sacolinha de tecido coloco um par de luvas, uma fralda, lencinhos umedecidos em embalagem de bolso, vidro pequeno de óleo de amêndoas, tapetinho higiênico e a focinheira, pois sem ela é impossível trocar as fraldas. A manipulação da coluna ainda traz dor – mesmo com todos os remédios – somada a certa dose de mau-humor, já que Anúbis nunca foi um cachorro dado a muitos toques e abraços. Ele quem sempre definiu quando quer brincar ou quer carinho.



A volta das fraldas caninas

Foram algumas semanas assim, ate que notei que ele gritava mais do que o normal na hora de trocar as
Tudo organizado em uma caixa
fraldas, olhei para a barriga dele e havia alguns nódulos que pareciam pequenas couves-flor, além de uns vergões vermelhos: reação à fralda geriátrica. Por ser muito grande ela cobria uma área muito sensível de pele e as extremidades roçavam nas dobras das patas causando irritação e até alguns cortes.

Solução: tratamento por algumas semanas com pomada cicatrizante e a volta às fraldas caninas 24h por dia. A economia inicial saiu cara. Como as fraldas caninas têm menor prazo de durabilidade que as humanas, eu tento me programar para passar em casa no meio da
Guardada em local de fácil acesso
tarde para fazer a troca. Isso porque quando a fralda fica “cheia”, ele arranca com a boca, fazendo uma bagunça danada no espaço em que está. Como nem sempre isso é possível, sei que há noites em que a limpeza do chão terá de ser mais caprichada.

Falando em orçamento, é interessante notar que em um caso desses ficamos muito focados no que
precisamos comprar a mais, mas dificilmente notamos o crescimento dos gastos do dia a dia. Água e luz por exemplo. Com Anúbis nessa situação, os panos utilizados com ele, os cobertores e até os panos de chão da limpeza diária ficavam mais sujos precisando ser lavados na máquina com mais frequência e às vezes até com água aquecida. A faxineira, que costumava vir a cada quinze dias se tornou necessária todas as semanas, entre outros pequenos gastos e que fazem diferença no fim do mês como a quantidade de sacos de lixo. Por sinal um item que me dói é a quantidade de lixo gerada com tanto material descartável: luvas, fraldas etc. Ainda não encontrei uma solução intermediária que me permita gerar menos lixo sem comprometer ainda mais a minha agenda.

Banho e tosa móvel
Horários também ficaram mais complicados. Levei quase dois meses para voltar a correr pela manhã. Às vezes é difícil, mas eu passo pela sala de olhos meio fechados e dizendo para mim mesma: Anúbis você vai ter de esperar mais um pouquinho porque agora vou dedicar um tempinho para mim.

domingo, 17 de março de 2013

Mudança para dentro


O lado “bom” de ter o diagnóstico definido foi o de conseguir saber que rumo seguir. Como eu gosto de ter as coisas organizadas, fazer tudo planejado e com parâmetros, saber definitivamente que ele não andaria mais me ajudou a nortear a nova rotina. Enquanto a dúvida pairava, além da angustia, do abalo emocional, havia a incerteza da vida, de como as coisas iam seguir.

Agora eu sabia que: ele precisaria de um carrinho para se locomover, o quintal não era mais uma opção de vida, o prazo entre os banhos diminuiria e ele precisaria emagrecer. Justo ele, o comilão da casa. Chamei novamente a minha amiga que chegou cheia de ideias e apetrechos.

Fato: precisávamos mudá-lo para dentro de casa. Depois percebi como a vida ficou muito mais fácil com ele dentro, mas no começo foi complicado. Eu tinha receio de ele se machucar com tantos móveis – confirmado depois – e nessa hora alguns fatores emocionais pesaram. Durante a infância e a juventude eu vivi em uma casa muito “bagunçada”, cheia de improvisos e quebra-galhos e o meu sonho sempre fora ter uma casa “bonitinha”, daquelas de revista. Isso não tem nada a ver com mania de organização e limpeza – pelo contrário, quando eu “bagunço” eu “bagunço” mesmo a casa – mas que tivesse certa ordem interna e externa. Passara por algumas casas antes, mas essa foi a que eu escolhi, do meu jeito, em um lugar que eu “namorei” mais de 10 anos antes de conseguir mudar. E mais: eu tinha planos de atender alguns clientes em casa. Como fazer uma sessão de coaching ou de consultoria em um ambiente adaptado e que, certamente, a situação do cão tiraria a atenção do cliente? Outra alteração definitiva na rotina: cachorro dentro, cliente fora.

Minha amiga chegou com um pedaço de mais ou menos dois metros quadrados de forração emborrachada com estampa imitando madeira. Colocamos em um canto da sala, como se fosse um tapete entre o sofá e a TV, bem em frente à porta de vidro que dá para o quintal. Como o chão da casa é de madeira, até que “combinou”.  Colocamos um colchonete com capa plástica, coberto por um tapetinho higiênico.

Tapete higiênico lavável
Dica: como no caso do Anúbis o tapetinho higiênico funcionava mais como uma “garantia” em caso de vazamento da fralda, optei por um modelo reutilizável. Sim, há tapetinhos reutilizáveis no mercado. Custam menos da metade de um pacote com 30 tapetinhos descartáveis e, segundo o fabricante, duram de 3 a 4 meses. Não sei se usaria em casos de o cachorro usar o tapetinho diretamente para fazer xixi, mas como acessório adicional, achei ótimo. Comprei dois porque, apesar de úteis, práticos e de fácil limpeza, eles demoram a secar. Troco a cada três ou quatro dias. A lavagem é simples. É só deixar algumas horas de molho em um balde com água, sem sabão ou outros produtos químicos. Sai tudo. Depois é só colocar para secar, o que demora um ou dois dias, pois o tapetinho tem uma base plástica onde acumula a água da lavagem e que precisa escorrer toda durante a secagem. Mesmo assim, mantenho um pequeno estoque de tapetinhos descartáveis, inclusive para o “kit passeio” que terá um post específico.

Cantinho do Anúbis

Devidamente acomodado dentro de casa, Anúbis agora provocava “inveja” na Raposinha e no Felipe Wanderley. O “cantinho do Anúbis” fica bem perto da porta de correr em vidro, que liga a sala ao quintal. Porta essa que eu deixava parte do dia aberta, apenas com um “portãozinho de cachorro”, separando-os.  Com isso ele conseguia olhar os passarinhos e o movimento dos dois outros cães. Inclusive podia “rosnar” para seu desafeto, Felipe Wanderley, quando esse corria no quintal.  Felipe é três anos mais velho que Anúbis. Os dois se davam bem até a chegada da Raposinha. Mesmo com todos castrados, a presença de uma fêmea – que já está conosco há oito anos – gerou animosidades. É o velho e conhecido triângulo amoroso.

Quem menos gostou da historia foi a Raposinha. De porte pequeno, ela sempre teve acesso mais livre à casa que os dois. Agora ficaria a maior parte do tempo no quintal. Inconformada, ela tentava pular o portãozinho do quintal para dentro (o poder de impulsão da Raposinha é impressionante). Nas vezes que teve sucesso quase caiu em cima do Anúbis.

Eu deixava essa porta aberta até quando saía por pouco tempo, mas mudei de ideia no dia em que ele resolveu ir até o quintal. Como ele não sente mais a parte traseira, não percebeu que “enganchou” as patas nos vãos do portão e acabou arrastando-o quintal adentro. Cheguei em casa e Anúbis estava no meio do quintal, preso no portãozinho.

Para evitar que ele se machucasse, ao sair de casa eu “cercava” o cantinho dele. Colocava uma madeira entre a mesa da TV e o sofá, calçada por um banco. Até que ele percebeu que conseguia empurrar a barreira e andar pela sala toda.

Precisei novamente mexer na rotina quando cheguei um dia em casa e a sala parecia que havia passado por um “tsunami”.  Nas suas “andanças”, ele prendeu perna na mesa da sala de jantar. Como Anúbis é muito forte, ele arrastou a mesa até o centro da sala, derrubando as seis cadeiras. Não sei como a cobertura de vidro ficou intacta.

Diante do “quase acidente” optei por montar uma segunda estrutura para ele na cozinha. Comprei alguns metros de passadeira de borracha e coloquei no chão. Quando saio de casa, coloco o colchão dele sobre essa forração e o deixo na cozinha. Lá os móveis são chumbados nas paredes e não tem pés. O espaço é pequeno, mas pelo menos não há risco de acidentes.

O diagnóstico definitivo


Com a acupuntura em andamento começou a nova fase de fisioterapia. Exercícios bem simples foram incluídos na rotina diária dele, além daquele da toalha, já descrito em post anterior:

Teste de sensibilidade: um dos principais pontos de sensibilidade neurológica do cão está entre os dedos das patas. Aquela pele que liga os dedos como se fosse um pé de pato é altamente sensível. Então, todos os dias eu precisaria apertar aquela pele com força. Sem dó, beliscando, colocando a unha para ver se ele encolhia a pata. Não é fácil porque dá pena de doer, mas a proposta é justamente essa provocar dor para que ele tenha reação.

Colher de pau: para que o cérebro não “esqueça” da parte do corpo sem movimento, há um exercício simples de estimulação que dá para fazer até vendo TV: pegar uma colher de pau e dar batidinhas em toda a extensão das patas sem movimento, repetidas vezes por cerca de dois minutos em cada pata.

ativação neural com colher de pau
Abraço nas pernas: outro exercício é tentar “forçar” a sustentação colocando o cão em pé, mas abraçando as patas traseiras esticadas. Ao deixá-lo em pé eu precisava segurar os “joelhos” traseiros dele esticados para “provocar” sustentação.

Nas primeiras sessões de acupuntura havia esperança. Mas com o passar do tempo, a musculatura traseira perdera a consistência e os testes de sensibilidade não davam resultado. Não haveria mais o que fazer. Havia ali dois caminhos a seguir: se desesperar, amaldiçoar e se achar vítima do mundo ou incorporar a novidade e refazer a rotina a partir daí.

De uma coisa eu tinha certeza: eu ia dar a melhor qualidade de vida possível para ele, mas não seria sua escrava. Não iria transformar a minha vida toda em um sacerdócio a ele para depois ficar me achando vítima do mundo. Certamente não foi fácil receber a notícia. Tanto por ele, um cachorro sempre tão ativo, que adorava um espaço amplo para correr como se o mundo não tivesse fronteiras, quanto para mim que teria de colocar mais limitações na minha vida.

A rotina da casa iria mudar, o layout iria mudar, o orçamento iria mudar definitivamente e as minhas escolhas precisariam mudar. Viajar a trabalho não seria mais tão fácil. Até então, quando eram apenas alguns dias, eu pedia para a passeadora trocar comida e água e limpar o quintal. Hotel era apenas no caso de viagens mais longas. A partir de agora tudo seria diferente. Tanto pela troca das fraldas quanto porque ele precisaria de mais assistência. Acordar atrasada, colocar uma roupa rapidinho e sair de casa também se tornou impossível. Haveria a rotina matinal de cuidados.

Correr pela manhã também ficou complicado, eu teria de ou acordar mais cedo do que o habitual 5h30 ou teria de começar a rotina de trabalho mais tarde. Creio que a readequação da atividade física tenha sido o mais difícil para mim, pois moro em um local em que as ruas são estreitas, poucas delas têm calçadas, ainda há muitos terrenos baldios e a iluminação pública é boa em apenas parte das vias. Além dos caminhões que desviam pelas vicinais para não pagar pedágio e para escapar do trânsito das rodovias e do Rodoanel. Correr à noite? Ou trocar a linda paisagem natural e os eventuais encontros com gambás, macaquinhos e pássaros diversos pela tediosa esteira?

Uma questão de “ente-eixos”

Maca-cão
Havia duas opções: reclamar ou resolver. Preferi a segunda. Acionei novamente a minha amiga que veio de imediato. Logo de cara com uma surpresa criativa: ela trouxe um acessório de transporte que ganhara de uma clínica veterinária quando sua doberman ficou tetraplégica: uma estrutura de lona reforçada parecendo uma  maca hospitalar, mas com quatro furos para o encaixe das patas.  A criação fora do dono de um rotweiller que também perdera o movimento traseiro e que, depois de o cão falecido, doara o “equipamento” para a clínica.  Quando olhei o Anúbis dentro , apelidei de imediato a “engenhoca” de “maca-cão”.  Dentro dela ele faria automaticamente exercícios de fisioterapia e poderia ser transportado sem incômodos.

Conclusão 1 (sem embasamento científico): rots, dobermans e pastores mestiços têm “entre-eixos” semelhantes porque o Anúbis se encaixou perfeitamente na estrutura.

Conclusão 2: gente que mora sozinha não pode ter cachorro grande. O “maca-cão” precisava de duas pessoas para carregar. Ou seja, não foi dessa vez que a vida dele ficou mais fácil.

Transporte continuava sendo o maior problema. Já que o uso do “maca-cão” implicaria em eu ter visita em casa, levá-lo de um lado para o outro ainda era dolorido. Para ele e para mim. Uma maneira que parecia fácil de levá-lo – ele não demonstrava sentir dor e as minhas costas agradeciam - , era pegá-lo pendurado pelas quatro patas, como se transporta um animal morto. Ele até parecia se divertir. Até o dia em que eu peguei de mau jeito e destronquei uma patinha dianteira dele.

domingo, 3 de março de 2013

Os primeiros sinais de evolução


Deixar o Anúbis no quintal era algo dúbio para mim. Se por um lado parecia me distanciar do problema – aquele pensamento errôneo de não estou vendo o tempo todo então não estou sentindo, por outro não era a melhor opção tanto pela questão da falta dos vidros, o que complicava em dias de chuva quanto por questões de higiene, pois aplicar a sonda no quintal não era algo lá muito higiênico. Inclusive aplicar a sonda em ambiente não hospitalar ou clínico trazia riscos de contaminação renal.  Mas se já era difícil carregá-lo para dentro de casa se fosse o caso, levá-lo na clínica duas vezes por dia seria inviável tanto em termos de tempo quanto de custos e ainda para as minhas costas.  E havia ainda o problema de ele tentar se arrastar no quintal e machucar o traseiro e as patas por causa da aspereza do chão antiderrapante.

Uma semana ou um pouco mais depois do acontecido, tive a primeira surpresa positiva ao acordar pela manhã. Quando fui colocar a sonda notei que ele estava todo molhado. Sim as funções renais haviam voltado. Ele conseguia fazer xixi. Claro que foi uma comemoração,  mas começou outro dilema: como  cuidar disso agora? Primeiras providências: banho e fraldas.

Banho frio de mangueira em um dia que não estava tanto calor apesar de ser janeiro? Dar banho nele sentado – como ele gostava de ficar ou deitado? E a água fria acumulando em baixo dele se fosse deitado? Resolvi então chamar uma amiga que durante um curto período de tempo teve de passar pela experiência de cuidar de uma doberman  tetraplégica.

Ela poderia me ajudar, mas eu sabia que não seriam todos os dias, pois ela tinha seus afazeres também. Em duas pessoas seria possível dar banho quente nele, pois o chuveiro fica no andar de cima da casa. Mas como levá-lo confortavelmente em uma escada que faz curva? Afinal as costas dele doíam e acupuntura só começaria na semana seguinte.

Banho dentro da caminha
Resolvemos então apelar para que vimos na TV nas ficções sobre o interior nordestino. Peguei uma toalha bem forte, amarrei as pontas em um cabo de vassoura como se fosse uma rede e levamos o “cabra” para cima dentro da toalha, sustentando o cabo de vassoura nos nossos ombros. Confesso que foi difícil uma porque ele não parava de se mexer – teve até de colocar focinheira – e outra porque eu não conseguia parar de rir da situação.

O fundo vazado não deixa água acumular
Ele relaxou muito no banho. Deu para perceber como foi prazeroso, mas eu sabia que não daria para fazer isso sempre. Banho na pet shop a cada quinze dias ou semanalmente teria de entrar no orçamento doméstico (depois vou publicar um post especificamente sobre as mudanças no orçamento doméstico, algumas que nem sempre nos damos conta). Levamos cerca de uma hora entre banho e secar e depois nós duas precisamos também tomar banho porque ao se lavar um cachorro com movimentos limitados é preciso interagir muito mais com o animal e, consequentemente, se molhar. Um item fundamental nesse banho foi levar para o chuveiro aquele cesto de dormir. Ele impediu que o Anúbis escorregasse e também, por ser vazado não deixava que a água acumulasse em baixo dele, caso tivesse sido colocado diretamente em cima do piso.

Eu sabia que daquele momento em diante ele passaria a usar fraldas. Fui até a pet shop e comprei um pacote pequeno de fraldas para cachorro macho. R$ 10,00 três fraldas que aguentam, no máximo cinco ou seis horas. “Eu vou falir pensei”. Além da questão financeira – fralda de cachorro é muito cara e dura menos que a de gente – eu não sabia o tamanho, pois conforme a marca o tamanho varia. O M de uma marca pode ser equivalente ao G de outra e assim por diante.

Outra descoberta: tem fralda para macho e para fêmea. A de macho é como se fosse um cinto, pois ela cobre apena o xixi. A de fêmea parece a humana com buraco para o rabinho, mas se você coloca no macho ela fica muito curta. Exageradamente comprei GG e ficou grande. A G foi a mais adequada. Calculei mentalmente: pela duração serão 4 fraldas por dia. O pacote grande é mais barato, mas mesmo assim dariam R$ 10 por dia, ou seja R$ 300 por mês só de fraldas. Não vai dar, pois isso é mais do que o total das despesas que eu tinha com ele por mês quando sadio.

Canina, humana ou geriátrica?

Caninas, mais bonitas mas menores
Vou arriscar fraldas de gente, pensei. Comprei um pacote para crianças do maior tamanho que encontrei feliz da vida porque o custo era muito inferior. Eram 18 fraldas por R$ 17 enquanto 12 fraldas de cachorro custavam R$ 23. Primeiramente tentei colocar como em criança mesmo fazendo o furo do rabinho, mas não serviu e se servisse eu havia rompido o gel. Depois tentei colocar como as fraldas de cachorro em forma de cinto, mas também ficou pequena. A última tentativa foi emendar duas, mas também não deu certo.
Geriátricas, maiores e mais baratas
Ele ficou alguns dias com fralda de cachorro até começar a acupuntura quando a veterinária sugeriu a fralda geriátrica. Deu certo. Fralda geriátrica tamanho P colocada em forma de cinto, em volta do abdome dele com atenção especial para ver se cobria todo o pênis e se não ficava muito apertada nem muito larga. Esteticamente não ficou bonito, pois a fralda é grandona, a maneira de colocar é diferente da convencional, então ficam algumas sobras, mas é muito mais prático. 

É possível achá-las em distribuidores de fraldas a cerca de R$ 16 a R$ 18 o pacote com 10. Por serem maiores, três fraldas no dia é o ideal, mas se por acaso não for possível passar em casa no meio do expediente para trocar , apenas duas “aguentam” o tranco. Afinal nem todos têm a minha rotina de trabalhar parte do tempo na rua e parte em casa e ter a maioria dos clientes a uma distância razoável. Com isso foi possível reduzir a despesa com fraldas de R$ 300 para, no máximo, R$ 180 por mês. Assim como as fraldas de cachorro, aprendi que o tamanho varia conforme a marca.  Mesmo com a praticidade da geriátrica, eu mantenho sempre um pacote de fraldinhas de cachorro na hora de passear ou ir ao veterinário, porque elas são bem mais bonitinhas: mais delicadas e estampadas com ossinhos  dando um toque estético ao fofo e ocupam menos espaço na sacola.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A batalha das compras


Encontrar os produtos recomendados pelos veterinários foi uma das maiores dificuldades. As próprias clínicas têm pouca informação nesse sentido. Uma dica útil seria que os consultórios e clínicas tivessem uma lista de locais onde se pode encontrar o que eles recomendam. Bati muito a cabeça pra lá e pra cá, foram muitas mensagens no facebook para conseguir encontrar os locais corretos e os melhores produtos.

A primeira dificuldade foi a seringa. Nas farmácias e pet shops encontram-se, no máximo, seringas de 20 ml e eu procurava uma de 60 ml. Afinal, a cada extração de urina com sonda e seringa eram por volta de 200 ml. Isso significa dez puxadas com uma seringa de 20 ml, enquanto que com uma de 60 eram três. Bem menos traumático para o cão e menos trabalhoso para mim.

Uma amiga conseguiu duas seringas em um hospital veterinário para mim.  Mas ainda persistia o problema da sonda. Onde comprar? Procurei muito na internet e encontrei apenas uma loja em Belo Horizonte e outra no Rio de Janeiro. Levava pelo menos uma semana para o produto chegar, sendo que no meu estoque havia apenas duas.

Só depois descobri por que motivo nos sites de produtos veterinários encontram-se sondas para gatos e para cavalos e dificilmente para cães. Porque cães usam sonda humana. Eu estava procurando no lugar errado. Até que mudei o foco para lojas de material cirúrgico para humanos e encontrei boa parte do que eu precisava. As seringas de 60 ml por R$ 5, as luvas (100 unidades por R$ 15), as sondas (pacote de 50 unidades por R$ 25) e fraldas. Sim, porque depois de alguns dias ele passou a trocar gradativamente a sonda pela fraldas, vou colocar um post específico sobre essa alegria e alívio para nós dois.

As fraldas foram um problemão porque eu não sabia o tamanho, nem das caninas e nem das humanas que pudessem substituir. Arrisquei uns três modelos e tamanhos diferentes até chegar ao ideal: fralda canina para macho tamanho G e fralda geriátrica tamanho P. As luvas, o ideal são as de vinil pois são mais baratas.
Essa maratona me levou a três grandes aprendizados:

O primeiro é que as lojas de produtos cirúrgicos para humanos merecem muita atenção. Elas estão muito mais bem equipadas para situações como essas que os pet shops.

O segundo é procure os produtos em locais especializados. Farmácias e mesmo o que pode ser encontrado nas pet shops são bem mais caros. As compras em quantidade valem a pena.

O terceiro é que a grande maioria das clínicas veterinárias perde uma boa oportunidade de dar um atendimento a mais para seus clientes. A falta de orientação sobre as compras é muito grande. Desperdiça-se muito tempo procurando aqui e acolá. Fica a sugestão para as clínicas terem uma listinha de fornecedores ou sites para ajudar seus clientes. A confusão na vida é muito grande nessas horas e evitar esse trabalho adicional ajuda muito os donos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A nova rotina


Pela manhã e à noite a rotina passou a ser a mesma e durar aproximadamente 45 minutos.  Mesmo acordando 5h30, com essa novidade, passei a não conseguir mais correr. Pode parecer egoísmo, mas fiquei morrendo de medo de voltar a engordar. Isso porque, cheguei a mais de 30 kg acima do meu peso nos últimos anos e, nos últimos quatro meses, consegui emagrecer mais de 10 kg, além de ter assumido diversos outros cuidados comigo mesma. Precisaria fazer uma escolha que eu não queria fazer. Assim como à noite, pois às vezes trabalho em algum evento ou tenho algum cliente de coaching até tarde da noite, agora sabia que não poderia mais simplesmente cair na cama. Esperava-me uma rotina minuciosa e que precisava de atenção. E como a ansiedade me faz comer, passei a monitorar meu peso diariamente.

Até então Anúbis não urinava por conta própria e estava com diarreia. Nesses primeiros dias o ritual era mais complexo e precisava ser feito duas vezes ao dia. Era composto por:

·         Colocar focinheira – fundamental para evitar mordidas, pois eu estava mexendo em partes do corpo dele que doíam.


·         Calçar luvas cirúrgicas – teve quem achou gasto desnecessário, mas para mim têm sido fundamental pelos seguintes motivos: higiene do cão e minha, e também pela facilidade de manipular o Anúbis. Afinal é uma atitude natural recolher as mãos quando se tem contato com algumas substâncias. Com as luvas calçadas eu passei a ficar muito à vontade com ele e com o que surgisse.


·         Deitá-lo de lado em cima de um tapete higiênico – fundamental tanto para isolá-lo da contaminação do quintal, quanto para ajuda a absorver a urina que vazasse.

·         Colocar a sonda no pênis até chegar na uretra.  Encaixar a seringa para puxar a urina muito devagar.   Fazer a extração da urina (dependendo do dia chegava a 300 ml) – como já disse não vou ensinar detalhes, mas é um procedimento bem delicado e que precisa de muita calma para se feito.


·         Limpar toda a área da cintura para baixo dos dois lados e na barriga com soro fisiológico (erro corrigido posteriormente) –  por mais que eu tomasse cuidado, ele sempre se sujava. Inclusive porque não produzia fezes até porque passou dias sem querer comer, mas ao manipulá-lo para extração da urina, eu sempre provocava algum outro tipo de excreção. A sugestão que eu recebi foi lavá-lo todos os dias com sabão medicinal e enxaguá-lo. Impossível.  Um cachorro de grande porte, difícil de manipular, sendo que eu tenho chuveiro só no andar de cima da casa. Tentei um dia só, com sabão e um balde. Ele ficou todo ensaboado por mais que eu jogasse água. E depois ficou todo molhado. Diante disso vi que soro fisiológico e um paninho bem limpo ou gaze poderiam ser uma opção desde que eu fosse bem detalhista no processo. Ainda não era o procedimento ideal, mas foi o melhor que eu pude fazer naqueles dias.

·         Secá-lo com uma toalha – fundamental para não irritar a pele. Lembrando que, se por um lado Anúbis nunca gostou de secador, por outro o horário em que eu o higienizava, se eu ligasse um secador no quintal receberia multa do condomínio.


·         Passar  pomada contra assaduras nas escaras  (erro corrigido posteriormente) – como ele sempre foi um cão muito ativo, Anúbis não queria ficar quieto. Arrastava-se por todo o quintal. Como o chão é áspero ele ficou todo cheio de feridas logo de cara. E, claro, as moscas começaram a rodear e a pousar. Para cicatrizar, comecei a usar pomadas para bebês. Apesar de eficazes foi um erro. Eu passava a pomada e ele se arrastava pelo quintal. A sujeira grudava na pomada e as moscas também.

·         Dar comida – comer foi um drama nos primeiros dias. Ele não queria nada nem comer nem tomar água.  Caso a situação perdurasse, eu precisaria dar soro subcutâneo nele. Aprendi todos os procedimentos: como tirar o ar do tubo, injetar sob a pele, deixar o soro em lugar alto, regular a quantidade etc. Mas ainda bem que ele resolveu comer, pois não sei se eu conseguiria fazer o procedimento em casa. O medo de não retirar todo o ar do tubo e com isso correr o risco de matá-lo me fizeram não dar soro. Ainda bem que ele resolveu tomar água e sentir um pouco de fome. Passei então a fazer comida caseira para ele: arroz, cenoura e a carne daqueles sachês prontos (sou vegetariana então preferi evitar comprar carne e eu mesma preparar). Dava comida apenas uma vez por dia, porque ele precisava perder peso já que a atividade física – que era intensa – praticamente cessara.

·         Lavar o quintal – por mais que eu tomasse cuidado o quintal acabava ficando sujo. E eu precisava também intensificar a limpeza, já que ele ia se arrastar.

·         Fazer o exercício da toalha (fisioterapia) – para tentar fortalecer os músculos das patas traseiras e também para incentivar a rede neural, ele passou a fazer um exercício todos os dias (vejam fotos). O propósito era fazê-lo firmar as patas traseiras no chão e andar. Foi um fiasco, veja no passo a passo.

·         Trocar o tapete higiênico. – todos os dias até que eu descobri os tapetes laváveis (vejam em post futuro)

·         Tirar a focinheira - o que eu esqueci mais de uma vez

·         Lavar o material reaproveitável – fundamental não deixar para depois porque acumula e dá preguiça


O exercício da toalha - passo a passo ilustrado


Um dos exercícios mais importantes em um cão na condição do Anúbis pode ser feito em casa mesmo. É a fisioterapia da toalha. Cães grandes como ele são mais difíceis, devido ao peso. Eu tive de consertar a minha coluna nas aulas de pilates. E confesso a vocês, não faço todos os dias esse exercício apesar de necessário. Só quando alguém vem me visitar porque para um cão grande a segunda pessoa é fundamental para que tudo saia certo.

O exercício consiste em passar uma toalha ou um cobertor na parte traseira do cão – perto da barriga – e erguê-lo do chão na sua altura normal. Ele ficaria apoiado nas patas dianteiras sustentando o corpo  O apoio da parte traseira seria dado pelas mãos que seguram a toalha. Nesse momento é importante não deixá-lo cruzar as patas – ou descruzá-las se ele o fizer e deixar que ele fique com as patas na posição em que estariam se ele andasse normalmente.  Caso os pés dobrem para trás ajeitá-los na posição normal.  Nessa posição incentivá-lo a andar durante cinco minutos. Caso ele não queria, ir oferecendo petiscos à distância de dois ou três passos para incentivá-lo em cada movimento.  


 


  

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O local adequado


Depois da mal sucedida tentativa de colocar o Anúbis no cesto, optei por um colchão baixinho, no chão coberto por um tapete higiênico. Em termos de praticidade e conforto foi a melhor opção, mas a estrutura do quintal não era favorável. Isso porque fiz uma reforma no final de 2011 que ficou incompleta. Faltaram os vidros que isolariam definitivamente uma parte do quintal de qualquer respingo de chuva. Como o Felipe Wanderley e a Raposinha dormem no canil e o Anúbis, em condições normais se abrigava dentro da casinha e na parte mais protegida do quintal, eu havia deixado os vidros para um momento de mais folga financeira.

Ajeitei-o bem no meio da área coberta. No calor sem problemas, mas se essa situação perdurasse até o inverno os vidros seriam necessários. Ou em dia de muita chuva. Mas, naquele momento, investir R$ 2.500 em vidros estava fora de cogitação. Até que veio a primeira chuva com vento forte quando eu justamente estava fora de casa. “Tadinho”, colchão todo molhado e ele com metade do corpo dentro da casinha. Arrastou-se até lá e tentou entrar para se proteger, mas o quadril e as patas traseiras não conseguiram ultrapassar o degrau.

Enquanto eu não achava uma solução, o deixei cerca de dois dias dentro da casinha. Coitado, quando em condições normais ele se movimentava dentro da casinha, mas, diante da nova realidade, ficava parado. Foi o que eu consegui enquanto não encontrava outra solução

Eu já havia percebido que o esquema do quintal não era o melhor. Tanto devido à chuva quanto pelo ritual diário de higiene e também porque como ele sempre foi um cachorro bastante ativo, ficava se arrastando no chão áspero do quintal provocando ferimentos nas patas traseiras.

O dilema era onde deixá-lo e de maneira que ele ficasse em um local seguro, confortável e higiênico, mas que, ao mesmo tempo fosse prático e me desse condições de cuidar dele sem mexer substancialmente na estrutura da casa.

Em casa, e agora?


Eram mas de três da tarde quando chegamos de volta em casa. A primeira dúvida: onde acomodá-lo? Na casinha, ele não vai conseguir entrar e sair, pois apesar de ele gostar muito dela, a porta é um pouco estreita e tem uma espécie de degrau. Optei por colocá-lo no canil, escavado na parte externa da casa em baixo da escada e onde até então dormiam Felipe Wanderley e a Raposinha. Pensei no conforto propiciado pelos almofadões de espuma rígida. Péssima ideia, ele desceu dos almofadões e não conseguia mais subir,além do interior do canil ser escuro e eu não conseguir fazer a higiene dele lá dentro.

Mudei-o então para o cesto em que ele dormia nas noites de verão. Eu precisava decidir isso rapidamente, pois o peso dele estava acabando com as minhas costas e eu ainda não havia encontrado o melhor jeito de carregá-lo e ele sentia dores ao ser movimentado. Ficou na cesta enquanto eu ia até o pet shop comprar os remédios e os apetrechos de higiene.

Fui a duas grandes redes de lojas especializadas em produtos para cães, além da farmácia para alguns dos remédios. Eram quatro medicamentos, sendo que um deles a caixa com os 10 comprimidos que ele precisava custava 150 reais. Confesso que até hoje não fiz direito as contas do quanto gastei, mas não foi pouco.

Havia tanto por fazer: acomodá-lo era a primeira medida, pois a cesta também não deu certo, percebi alguns dias depois que ele escorregava ao tentar se levantar. Depois o desafio era incorporar os procedimentos terapêuticos e de higiene dele e do local, além dos exercícios físicos. Tudo isso duas vezes por dia, segundo orientação veterinária. Pelas minhas contas cada sessão levaria por volta de 45 minutos.

Nesse momento eu me desesperei. Tanto por mim quanto pelo Anúbis. Por ele, de como seria a vida dele dali por diante, se voltaria ou não a andar e por mim sobre tudo que eu precisaria mudar na minha. No ritmo de vida que eu levo: o trabalho no site, os clientes de coaching e de consultoria, a busca constante por novos clientes, os eventos, cuidar da casa, correr, ir para academia, atividades da pós e de outros cursos de aperfeiçoamento. Tudo isso em uma fase financeira bastante difícil e em uma das piores épocas do ano para quem trabalha por conta própria.

Do que iria abrir mão? Foram horas pensando sem resposta. Afinal ganhar uma hora e meia no dia não é tarefa fácil. Até que resolvi sentar em frente ao computador e montar uma planilha das minhas atividades e do tempo que levo em cada uma e também da importância para mim.

A primeira opção seriam as corridas matinais e a academia, mas justamente quando eu resolvi investir na minha saúde e já conseguira eliminar 10 kg dos 30 que eu havia engordado nos últimos anos? Depois veio a ideia de deixar a pós.  Mas e os convites para dar aula em universidades?Abandonaria mais uma vez? Diminuir o ritmo de trabalho? E como pagar as contas, que já estavam tão difíceis e agora aumentariam? Como reduzir o ritmo de trabalho e ao mesmo tempo fazer caixa para o mês de resguardo posterior à minha cirurgia marcada para março?

Enfim, pensei e repensei e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Deixei os dias passarem e a vida ajeitar. Acabei automaticamente sacrificando as corridas matinais (que foram retomadas posteriormente), a organização da casa e a minha vaidade. Passei a ir para academia apenas à noite (muito incomodada com isso), mas a casa virou um verdadeiro caos.

Em poucos dias não havia mais lugar para sentar no sofá e eu precisava me espremer para deitar em um cantinho da cama de casal devido a tanta bagunça em cima dela. A mesa de jantar tomada por papeis, bolsas e outros apetrechos. A cozinha, uma vergonha. Armários vazios e pia cheia, o que associado à falta de tempo passou a me levar a comer fora. E a comer bobagem para não gastar muito.

As roupas eu já não sabia mais o que era para lavar e o que estava limpo. A vaidade foi embora momentaneamente, o que causou estranheza a quem me conhece, todos os dias com maquiagem completa e em cima do salto.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A tosa e a sonda



Anúbis sempre foi um cachorro lindo. Seus pelos longos chamavam a atenção das pessoas na rua. Mas em momentos como esse é preciso ser racional. Por questões de higiene dele, saúde e também de praticidade com a nova rotina dos rins e do intestino, tosar a parte traseira se tornou necessidade. Foi pena ver passar a máquina naquele rabo de espanador, mas havia prioridades a considerar.

Além da perda do movimento das patas Anúbis parou de fazer suas necessidades por conta própria.  Como ele estava sem comer havia alguns dias, um dos veterinários me pediu cautela, pois as fezes poderiam ainda estar se formando.

A falta de urina era preocupação. Depois de exames de sangue, perfil renal, entre outros, verificou-se que no geral corria tudo bem. Como não havia movimentação na parte de baixo, a urina foi retirada com sonda. Mais de 300 ml, que eu teria de fazer todos os dias, preferencialmente duas vezes por dia. Na clínica fui ensinada a fazer o passo a passo da retirada.


Fiquei surpresa de como eu peguei o jeito logo de cara. Acertei na primeira, mas é um procedimento muito delicado com sonda e seringa. Por essa delicadeza optei por não ensiná-lo aqui. Se não for bem feito pode machucar e facilitar infecções renais. A dica é apenas que é possível e fácil fazer a retirada da urina em casa, mas é fundamental que o procedimento seja ensinado e acompanhado pela primeira vez por um veterinário.


Tudo era incerto e eu não sabia quem estava mais assustado, ele ou eu. Um dos veterinários  me alertou da possibilidade de  sacrifício caso o câncer estivesse em estágio mais avançado do que se poderia imaginar com os exames.

A manhã fatídica


Era manhã de 17 de janeiro de 2013, 5ª-feira. Acordei cedo como de costume – 5h45 – saí para correr. Na volta, fui alimentar os três e ajeitar o quintal. Estranhei quando coloquei a ração do Anúbis e ele não veio correndo, como o bom garfo sempre foi. Estava deitado no quintal, com aquela “cara amassada” de cachorro que dormiu demais.

Nos dias anteriores ele comeu menos e estava meio amuado. Achei que ainda estava “chateado” porque havia ficado sozinho por muito tempo no fim de semana e também nos dias anteriores. Eu havia viajando com a Raposinha para fazer rafting (uma modalidade especial com cachorro) e tive diversos compromissos de trabalho que me fizeram chegar tarde todos os dias naquela semana.

Até que ele levantou e veio. No primeiro passo uma pata caiu. Ele a levantou. No segundo passo caiu a outra pata. No terceiro caíram as duas e ele não levantou mais. A quantidade de pensamentos que me veio na cabeça naqueles 30 segundos foi assustadora, mesmo para alguém hiperativa como eu.

Primeiro pensamento: displasia (por ter a mãe pastora). Segundo pensamento: levar ao veterinário. Ele só gritava e eu não sabia como pegar aqueles 25 kg com a traseira inerte e colocar no carro sozinha. Sem focinheira, ele se debatia e tentava me morder cada vez que eu tentava tocá-lo. Com a ajuda de um cobertor para proteger os meus braços, o coloquei desajeitadamente no porta-malas, devidamente adaptado para o transporte dos cães. Foram minutos terríveis porque eu tentava levantá-lo do chão e ele não deixava, gritava, se debatia e tentava morder. Tirá-lo do carro foi outro drama. Eu não sabia onde doía e tinha medo de pegar de qualquer jeito e ele cair.

Na mesa de exame ouvi o diagnóstico inicial: coluna e recebi o pedido para fazer um raio-X. É curioso como essas situações fazem com que não consigamos raciocinar com clareza. Parecia que um lado do meu cérebro sabia que era algo mais. Afinal Felipe Wanderley tivera problemas de coluna no ano anterior e as patas dele ficaram duras e esticadas e não caídas e inertes. Se por um lado essa gravidade me preocupava, por outro eu pensava se até sábado ele se recuperaria, pois iríamos fazer trilha a pé na Serra do Mar com outros cães e seus respectivos donos.

O passo seguinte foi levá-lo ao laboratório para o raio X. Nunca entendi muito bem por que motivo o laboratório veterinário aqui de Cotia fica em uma casa com uma escadaria em curva para subir. A meu ver seria mais fácil, prático e seguro para todos se fosse em uma casa térrea. Apesar da escada, foi um pouco mais fácil porque ele já estava com focinheira. Foi levado em uma maca com a ajuda de um funcionário do laboratório que nitidamente estava morrendo de medo dele.

Na recepção Anúbis, mesmo com dor, queria brincar. Ele tentava se aproximar dos outros cães que esperavam para ser atendidos. O raio-X foi uma operação de guerra. Ele não deixava, se debatia, gritava e por vezes quase caiu de cima da mesa. Confesso que perdi o controle e, em alguns momentos, em vez de tentar acalmá-lo, eu briguei com ele.

Peguei o exame e voltei para o veterinário. Não havia funcionário disponível no momento para me ajudar na escada então resolvi pegá-lo no colo e encarar a descida sozinha. Cada passo eu morria de medo de cair com ele no colo.

De volta ao veterinário, o exame mostrou um diagnóstico dúbio: ao mesmo tempo que indicava sete bicos de papagaio – como tivera Felipe Wanderley no ano anterior – havia uma desconfiança de neoplasia, uma espécie de câncer ósseo.

Ouvi quatro opiniões diferentes nesse dia. Alguma contraditórias em relação à gravidade e à origem da paralisia. Naquele momento percebi também as minhas limitações em relação ao tratamento dele. Tenho uma pequena empresa em casa, ainda em fase de estabilização financeira. A doença surgiu em janeiro, uma das piores épocas para o meu tipo de trabalho. Este ano, para piorar, tudo aconteceu a um mês de eu ser submetida a uma cirurgia que me levaria a 40 dias de repouso absoluto.

Ficou claro naquele momento que não poderia avançar muito com o tratamento. Para saber a fundo o que houve com ele seria necessário uma tomografia com preço chegando perto dos R$ 1 mil reais e uma cirurgia na coluna para poder colher material e mandar para exames. Ou seja, para diagnosticar detalhadamente eu gastaria pelo menos três mil reais além do tratamento já em curso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A rotina da casa


Dizem que cachorro gosta de rotina. Se dependesse disso não haveria cachorro em casa, pois rotina lá não existe. Meu trabalho não tem horário fixo, exige viagens e eu também não sou lá de fazer as coisas todos os dias na mesma hora. Com os cachorros até que eu tento, mas nem sempre a comida e os passeios saem no mesmo horário. Às vezes eles reclamam, outras vezes não. O único hábito é acordar bem cedo, inclusive nos fins de semana. A minha falta rotina, principalmente devido ao trabalho atrapalha quando eles ficam doentes, pois nem sempre consigo respeitar a regularidade necessária dos remédios.

Os três costumam ficar no quintal e, no máximo na cozinha. Devidamente separados por um portão porque Anúbis e Felipe Wanderley não se dão bem. Dentro de casa só quando está muito frio ou chovendo muito forte.

O restante da matilha




Além de mim e do Anúbis, a casa conta com dois outros moradores: Felipe Wanderley e Raposinha. Felipe é um vira-lata preto e branco (tipo cachorro-vaquinha) de 14 anos e porte médio. De temperamento pacato, é aquele  cachorro para quem tudo está bom. Quietinho, adora pessoas e outros animais. Foi o companheiro da minha mãe até 2008. Desde que ela morreu, naquele ano, passou a morar conosco. Anúbis não gosta muito dele, pois tem ciúmes da Raposinha.







Raposinha, como o nome já diz, é uma vira-latinha com jeito de Raposa. Tem 11 anos, como Anúbis, e personalidade única. Apesar da idade, é muito travessa. Sobe em tudo e não pode ver uma frestinha aberta que já quer escapara para a rua. Adora fazer graça para as pessoas, mas é ciumenta com animais estranhos. As peraltices da Raposinha mereciam um blog. Quem sabe um dia... Ela e Anúbis estão sempre juntos.