Deixar o Anúbis no quintal era algo dúbio para mim. Se por
um lado parecia me distanciar do problema – aquele pensamento errôneo de não
estou vendo o tempo todo então não estou sentindo, por outro não era a melhor
opção tanto pela questão da falta dos vidros, o que complicava em dias de chuva
quanto por questões de higiene, pois aplicar a sonda no quintal não era algo lá
muito higiênico. Inclusive aplicar a sonda em ambiente não hospitalar ou
clínico trazia riscos de contaminação renal.
Mas se já era difícil carregá-lo para dentro de casa se fosse o caso,
levá-lo na clínica duas vezes por dia seria inviável tanto em termos de tempo
quanto de custos e ainda para as minhas costas. E havia ainda o problema de ele tentar se
arrastar no quintal e machucar o traseiro e as patas por causa da aspereza do chão
antiderrapante.
Uma semana ou um pouco mais depois do acontecido, tive a
primeira surpresa positiva ao acordar pela manhã. Quando fui colocar a sonda
notei que ele estava todo molhado. Sim as funções renais haviam voltado. Ele
conseguia fazer xixi. Claro que foi uma comemoração, mas começou outro dilema: como cuidar disso agora? Primeiras providências:
banho e fraldas.
Banho frio de mangueira em um dia que não estava tanto calor
apesar de ser janeiro? Dar banho nele sentado – como ele gostava de ficar ou
deitado? E a água fria acumulando em baixo dele se fosse deitado? Resolvi então
chamar uma amiga que durante um curto período de tempo teve de passar pela
experiência de cuidar de uma doberman
tetraplégica.
Ela poderia me ajudar, mas eu sabia que não seriam todos os
dias, pois ela tinha seus afazeres também. Em duas pessoas seria possível dar
banho quente nele, pois o chuveiro fica no andar de cima da casa. Mas como
levá-lo confortavelmente em uma escada que faz curva? Afinal as costas dele
doíam e acupuntura só começaria na semana seguinte.
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| Banho dentro da caminha |
Resolvemos então apelar para que vimos na TV nas ficções
sobre o interior nordestino. Peguei uma toalha bem forte, amarrei as pontas em
um cabo de vassoura como se fosse uma rede e levamos o “cabra” para cima dentro
da toalha, sustentando o cabo de vassoura nos nossos ombros. Confesso que foi
difícil uma porque ele não parava de se mexer – teve até de colocar focinheira
– e outra porque eu não conseguia parar de rir da situação.
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| O fundo vazado não deixa água acumular |
Ele relaxou muito no banho. Deu para perceber como foi
prazeroso, mas eu sabia que não daria para fazer isso sempre. Banho na pet shop
a cada quinze dias ou semanalmente teria de entrar no orçamento doméstico
(depois vou publicar um post especificamente sobre as mudanças no orçamento
doméstico, algumas que nem sempre nos damos conta). Levamos cerca de uma hora
entre banho e secar e depois nós duas precisamos também tomar banho porque ao
se lavar um cachorro com movimentos limitados é preciso interagir muito mais
com o animal e, consequentemente, se molhar. Um item fundamental nesse banho
foi levar para o chuveiro aquele cesto de dormir. Ele impediu que o Anúbis
escorregasse e também, por ser vazado não deixava que a água acumulasse em
baixo dele, caso tivesse sido colocado diretamente em cima do piso.
Eu sabia que daquele momento em diante ele passaria a usar
fraldas. Fui até a pet shop e comprei um pacote pequeno de fraldas para
cachorro macho. R$ 10,00 três fraldas que aguentam, no máximo cinco ou seis
horas. “Eu vou falir pensei”. Além da questão financeira – fralda de cachorro é
muito cara e dura menos que a de gente – eu não sabia o tamanho, pois conforme
a marca o tamanho varia. O M de uma marca pode ser equivalente ao G de outra e
assim por diante.
Outra descoberta: tem fralda para macho e para fêmea. A de
macho é como se fosse um cinto, pois ela cobre apena o xixi. A de fêmea parece
a humana com buraco para o rabinho, mas se você coloca no macho ela fica muito
curta. Exageradamente comprei GG e ficou grande. A G foi a mais adequada.
Calculei mentalmente: pela duração serão 4 fraldas por dia. O pacote grande é
mais barato, mas mesmo assim dariam R$ 10 por dia, ou seja R$ 300 por mês só de
fraldas. Não vai dar, pois isso é mais do que o total das despesas que eu tinha
com ele por mês quando sadio.
Canina, humana ou geriátrica?
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| Caninas, mais bonitas mas menores |
| Geriátricas, maiores e mais baratas |
Ele ficou alguns dias com fralda de cachorro até começar a
acupuntura quando a veterinária sugeriu a fralda geriátrica. Deu certo. Fralda
geriátrica tamanho P colocada em forma de cinto, em volta do abdome dele com
atenção especial para ver se cobria todo o pênis e se não ficava muito apertada
nem muito larga. Esteticamente não ficou bonito, pois a fralda é grandona, a
maneira de colocar é diferente da convencional, então ficam algumas sobras, mas
é muito mais prático.
É possível achá-las em distribuidores de fraldas a cerca de
R$ 16 a R$ 18 o pacote com 10. Por serem maiores, três fraldas no dia é o ideal,
mas se por acaso não for possível passar em casa no meio do expediente para
trocar , apenas duas “aguentam” o tranco. Afinal nem todos têm a minha rotina
de trabalhar parte do tempo na rua e parte em casa e ter a maioria dos clientes
a uma distância razoável. Com isso foi possível reduzir a despesa com fraldas
de R$ 300 para, no máximo, R$ 180 por mês. Assim como as fraldas de cachorro,
aprendi que o tamanho varia conforme a marca.
Mesmo com a praticidade da geriátrica, eu mantenho sempre um pacote de
fraldinhas de cachorro na hora de passear ou ir ao veterinário, porque elas são
bem mais bonitinhas: mais delicadas e estampadas com ossinhos dando um toque estético ao fofo e ocupam
menos espaço na sacola.









