
Teste de
sensibilidade: um dos principais pontos de sensibilidade neurológica do
cão está entre os dedos das patas. Aquela pele que liga os dedos como se fosse
um pé de pato é altamente sensível. Então, todos os dias eu precisaria apertar
aquela pele com força. Sem dó, beliscando, colocando a unha para ver se ele
encolhia a pata. Não é fácil porque dá pena de doer, mas a proposta é
justamente essa provocar dor para que ele tenha reação.
Colher de pau:
para que o cérebro não “esqueça” da parte do corpo sem movimento, há um exercício
simples de estimulação que dá para fazer até vendo TV: pegar uma colher de pau
e dar batidinhas em toda a extensão das patas sem movimento, repetidas vezes
por cerca de dois minutos em cada pata.
ativação neural com colher de pau |
Abraço nas pernas:
outro exercício é tentar “forçar” a sustentação colocando o cão em pé, mas
abraçando as patas traseiras esticadas. Ao deixá-lo em pé eu precisava segurar
os “joelhos” traseiros dele esticados para “provocar” sustentação.
Nas primeiras sessões de acupuntura havia esperança. Mas com
o passar do tempo, a musculatura traseira perdera a consistência e os testes de
sensibilidade não davam resultado. Não haveria mais o que fazer. Havia ali dois
caminhos a seguir: se desesperar, amaldiçoar e se achar vítima do mundo ou
incorporar a novidade e refazer a rotina a partir daí.
De uma coisa eu tinha certeza: eu ia dar a melhor qualidade
de vida possível para ele, mas não seria sua escrava. Não iria transformar a
minha vida toda em um sacerdócio a ele para depois ficar me achando vítima do
mundo. Certamente não foi fácil receber a notícia. Tanto por ele, um cachorro
sempre tão ativo, que adorava um espaço amplo para correr como se o mundo não
tivesse fronteiras, quanto para mim que teria de colocar mais limitações na
minha vida.
A rotina da casa iria mudar, o layout iria mudar, o
orçamento iria mudar definitivamente e as minhas escolhas precisariam mudar.
Viajar a trabalho não seria mais tão fácil. Até então, quando eram apenas
alguns dias, eu pedia para a passeadora trocar comida e água e limpar o
quintal. Hotel era apenas no caso de viagens mais longas. A partir de agora
tudo seria diferente. Tanto pela troca das fraldas quanto porque ele precisaria
de mais assistência. Acordar atrasada, colocar uma roupa rapidinho e sair de
casa também se tornou impossível. Haveria a rotina matinal de cuidados.
Correr pela manhã também ficou complicado, eu teria de ou
acordar mais cedo do que o habitual 5h30 ou teria de começar a rotina de
trabalho mais tarde. Creio que a readequação da atividade física tenha sido o
mais difícil para mim, pois moro em um local em que as ruas são estreitas,
poucas delas têm calçadas, ainda há muitos terrenos baldios e a iluminação
pública é boa em apenas parte das vias. Além dos caminhões que desviam pelas
vicinais para não pagar pedágio e para escapar do trânsito das rodovias e do
Rodoanel. Correr à noite? Ou trocar a linda paisagem natural e os eventuais
encontros com gambás, macaquinhos e pássaros diversos pela tediosa esteira?
Uma questão de “ente-eixos”
![]() |
Maca-cão |
Havia duas opções: reclamar ou resolver. Preferi a segunda.
Acionei novamente a minha amiga que veio de imediato. Logo de cara com uma
surpresa criativa: ela trouxe um acessório de transporte que ganhara de uma
clínica veterinária quando sua doberman ficou tetraplégica: uma estrutura de
lona reforçada parecendo uma maca
hospitalar, mas com quatro furos para o encaixe das patas. A criação fora do dono de um rotweiller que
também perdera o movimento traseiro e que, depois de o cão falecido, doara o
“equipamento” para a clínica. Quando
olhei o Anúbis dentro , apelidei de imediato a “engenhoca” de “maca-cão”. Dentro dela ele faria automaticamente
exercícios de fisioterapia e poderia ser transportado sem incômodos.
Conclusão 1
(sem embasamento científico): rots, dobermans e pastores mestiços têm
“entre-eixos” semelhantes porque o Anúbis se encaixou perfeitamente na
estrutura.
Conclusão 2:
gente que mora sozinha não pode ter cachorro grande. O “maca-cão” precisava de
duas pessoas para carregar. Ou seja, não foi dessa vez que a vida dele ficou
mais fácil.
Transporte continuava sendo o maior problema. Já que o uso
do “maca-cão” implicaria em eu ter visita em casa, levá-lo de um lado para o
outro ainda era dolorido. Para ele e para mim. Uma maneira que parecia fácil de
levá-lo – ele não demonstrava sentir dor e as minhas costas agradeciam - , era
pegá-lo pendurado pelas quatro patas, como se transporta um animal morto. Ele
até parecia se divertir. Até o dia em que eu peguei de mau jeito e destronquei
uma patinha dianteira dele.
Coisinha linda o Anubis, que dó pela patinha dianteira!! Que bom que optou por resolver o problema e nao por reclamar!!! Esses dias conversando conversando com uma amiga, que assim como, adora os peludos, me.disse que os cães se adaptam facilmente a sua nova situação, a gente que sofre por eles, isso me deixou mais tranquila em relação à eles. Vc concorda com essa afirmação? Pergunto para vc, pois vive dia a dia com o principe, rss, e pode me dizer a reação dele, agora que ja passou um certo tempo desde que ficou sem poder caminha!!
ResponderExcluirAbraço,
Gislene.