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domingo, 3 de março de 2013

Os primeiros sinais de evolução


Deixar o Anúbis no quintal era algo dúbio para mim. Se por um lado parecia me distanciar do problema – aquele pensamento errôneo de não estou vendo o tempo todo então não estou sentindo, por outro não era a melhor opção tanto pela questão da falta dos vidros, o que complicava em dias de chuva quanto por questões de higiene, pois aplicar a sonda no quintal não era algo lá muito higiênico. Inclusive aplicar a sonda em ambiente não hospitalar ou clínico trazia riscos de contaminação renal.  Mas se já era difícil carregá-lo para dentro de casa se fosse o caso, levá-lo na clínica duas vezes por dia seria inviável tanto em termos de tempo quanto de custos e ainda para as minhas costas.  E havia ainda o problema de ele tentar se arrastar no quintal e machucar o traseiro e as patas por causa da aspereza do chão antiderrapante.

Uma semana ou um pouco mais depois do acontecido, tive a primeira surpresa positiva ao acordar pela manhã. Quando fui colocar a sonda notei que ele estava todo molhado. Sim as funções renais haviam voltado. Ele conseguia fazer xixi. Claro que foi uma comemoração,  mas começou outro dilema: como  cuidar disso agora? Primeiras providências: banho e fraldas.

Banho frio de mangueira em um dia que não estava tanto calor apesar de ser janeiro? Dar banho nele sentado – como ele gostava de ficar ou deitado? E a água fria acumulando em baixo dele se fosse deitado? Resolvi então chamar uma amiga que durante um curto período de tempo teve de passar pela experiência de cuidar de uma doberman  tetraplégica.

Ela poderia me ajudar, mas eu sabia que não seriam todos os dias, pois ela tinha seus afazeres também. Em duas pessoas seria possível dar banho quente nele, pois o chuveiro fica no andar de cima da casa. Mas como levá-lo confortavelmente em uma escada que faz curva? Afinal as costas dele doíam e acupuntura só começaria na semana seguinte.

Banho dentro da caminha
Resolvemos então apelar para que vimos na TV nas ficções sobre o interior nordestino. Peguei uma toalha bem forte, amarrei as pontas em um cabo de vassoura como se fosse uma rede e levamos o “cabra” para cima dentro da toalha, sustentando o cabo de vassoura nos nossos ombros. Confesso que foi difícil uma porque ele não parava de se mexer – teve até de colocar focinheira – e outra porque eu não conseguia parar de rir da situação.

O fundo vazado não deixa água acumular
Ele relaxou muito no banho. Deu para perceber como foi prazeroso, mas eu sabia que não daria para fazer isso sempre. Banho na pet shop a cada quinze dias ou semanalmente teria de entrar no orçamento doméstico (depois vou publicar um post especificamente sobre as mudanças no orçamento doméstico, algumas que nem sempre nos damos conta). Levamos cerca de uma hora entre banho e secar e depois nós duas precisamos também tomar banho porque ao se lavar um cachorro com movimentos limitados é preciso interagir muito mais com o animal e, consequentemente, se molhar. Um item fundamental nesse banho foi levar para o chuveiro aquele cesto de dormir. Ele impediu que o Anúbis escorregasse e também, por ser vazado não deixava que a água acumulasse em baixo dele, caso tivesse sido colocado diretamente em cima do piso.

Eu sabia que daquele momento em diante ele passaria a usar fraldas. Fui até a pet shop e comprei um pacote pequeno de fraldas para cachorro macho. R$ 10,00 três fraldas que aguentam, no máximo cinco ou seis horas. “Eu vou falir pensei”. Além da questão financeira – fralda de cachorro é muito cara e dura menos que a de gente – eu não sabia o tamanho, pois conforme a marca o tamanho varia. O M de uma marca pode ser equivalente ao G de outra e assim por diante.

Outra descoberta: tem fralda para macho e para fêmea. A de macho é como se fosse um cinto, pois ela cobre apena o xixi. A de fêmea parece a humana com buraco para o rabinho, mas se você coloca no macho ela fica muito curta. Exageradamente comprei GG e ficou grande. A G foi a mais adequada. Calculei mentalmente: pela duração serão 4 fraldas por dia. O pacote grande é mais barato, mas mesmo assim dariam R$ 10 por dia, ou seja R$ 300 por mês só de fraldas. Não vai dar, pois isso é mais do que o total das despesas que eu tinha com ele por mês quando sadio.

Canina, humana ou geriátrica?

Caninas, mais bonitas mas menores
Vou arriscar fraldas de gente, pensei. Comprei um pacote para crianças do maior tamanho que encontrei feliz da vida porque o custo era muito inferior. Eram 18 fraldas por R$ 17 enquanto 12 fraldas de cachorro custavam R$ 23. Primeiramente tentei colocar como em criança mesmo fazendo o furo do rabinho, mas não serviu e se servisse eu havia rompido o gel. Depois tentei colocar como as fraldas de cachorro em forma de cinto, mas também ficou pequena. A última tentativa foi emendar duas, mas também não deu certo.
Geriátricas, maiores e mais baratas
Ele ficou alguns dias com fralda de cachorro até começar a acupuntura quando a veterinária sugeriu a fralda geriátrica. Deu certo. Fralda geriátrica tamanho P colocada em forma de cinto, em volta do abdome dele com atenção especial para ver se cobria todo o pênis e se não ficava muito apertada nem muito larga. Esteticamente não ficou bonito, pois a fralda é grandona, a maneira de colocar é diferente da convencional, então ficam algumas sobras, mas é muito mais prático. 

É possível achá-las em distribuidores de fraldas a cerca de R$ 16 a R$ 18 o pacote com 10. Por serem maiores, três fraldas no dia é o ideal, mas se por acaso não for possível passar em casa no meio do expediente para trocar , apenas duas “aguentam” o tranco. Afinal nem todos têm a minha rotina de trabalhar parte do tempo na rua e parte em casa e ter a maioria dos clientes a uma distância razoável. Com isso foi possível reduzir a despesa com fraldas de R$ 300 para, no máximo, R$ 180 por mês. Assim como as fraldas de cachorro, aprendi que o tamanho varia conforme a marca.  Mesmo com a praticidade da geriátrica, eu mantenho sempre um pacote de fraldinhas de cachorro na hora de passear ou ir ao veterinário, porque elas são bem mais bonitinhas: mais delicadas e estampadas com ossinhos  dando um toque estético ao fofo e ocupam menos espaço na sacola.

6 comentários:

  1. Seu blog é emocionante, Karen. O Anúbis tem sorte de ter uma mamãe como vc. Te mandei uma mensagem inbox, vc viu? Deus te abençoe e o Anúbis tb!

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  2. Olá Karen, fico feliz com as melhoras do Anúbis e em saber que agora ele está fazendo acupuntura, bonitinho!!!!
    Tbn acho que ele tem muita sorte de ter vc como mamãe dele!
    Abraço forte,
    Gislene

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  3. Parabéns pelo blog.
    Dicas úteis para quem tem peludos na mesma situação.
    Já tive uma peluda que não andava e sei o quanto é difícil a adaptação e a falta de informações a respeito.
    Hoje tenho um cãozinho que em breve vai usar andador (tem problemas de coordenação motora por conta de um tumor no cerebelo).
    A ideia da maca é muito boa. Eu havia feito uma parecida, mas sem a madeira. Muito legal.
    Aproveito para perguntar se o Anúbis já tem cadeira de rodas.
    Tenho uma para doar e acredito que seja do tamanho dele.
    Me escreva caso seja do seu interesse.
    Abraços,

    Aglaé

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    Respostas
    1. Oi Aglaé, tudo bem? Obrigada pela atenção. Eu mandei fazer uma cadeirinha de rodas para ele lá em Minas. Ela chegou esta semana mas ficou muito alta para ele. Quarta-feira irá um rapaz em casa para fazer os ajustes nela. Se não der certo eu gostaria de testar a sua cadeirinha sim. Muito obrigada. bjs.

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  4. Ola, estou com meu cao na mesma situaçao so que ele nao esta movimentando nem as patas da frente, devido a cinomose ele ficou assim, começei um tratamento com celulas tronco, a esperança é que ele melhore, vou ler melhor os seus post com dicas de higiene etc, sem contar que apareceram as escaras pra ajudar a complicar os cuidados.

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  5. Oi Luiz eu usava com ele para as escaras um óleo chamado Dersani que é próprio para isso. Não sei se é caro ou não porque o vidro que eu usei eu ganhei mas ajudava muito. Na higiene dele, a água morna com vinagre e depois o óleo de amendoas faz muito efeito e o custo é baixissimo. boa sorte. A música também fazia bem para ele, aqueles CDS especiais para cachorros. Abraços

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