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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A batalha das compras


Encontrar os produtos recomendados pelos veterinários foi uma das maiores dificuldades. As próprias clínicas têm pouca informação nesse sentido. Uma dica útil seria que os consultórios e clínicas tivessem uma lista de locais onde se pode encontrar o que eles recomendam. Bati muito a cabeça pra lá e pra cá, foram muitas mensagens no facebook para conseguir encontrar os locais corretos e os melhores produtos.

A primeira dificuldade foi a seringa. Nas farmácias e pet shops encontram-se, no máximo, seringas de 20 ml e eu procurava uma de 60 ml. Afinal, a cada extração de urina com sonda e seringa eram por volta de 200 ml. Isso significa dez puxadas com uma seringa de 20 ml, enquanto que com uma de 60 eram três. Bem menos traumático para o cão e menos trabalhoso para mim.

Uma amiga conseguiu duas seringas em um hospital veterinário para mim.  Mas ainda persistia o problema da sonda. Onde comprar? Procurei muito na internet e encontrei apenas uma loja em Belo Horizonte e outra no Rio de Janeiro. Levava pelo menos uma semana para o produto chegar, sendo que no meu estoque havia apenas duas.

Só depois descobri por que motivo nos sites de produtos veterinários encontram-se sondas para gatos e para cavalos e dificilmente para cães. Porque cães usam sonda humana. Eu estava procurando no lugar errado. Até que mudei o foco para lojas de material cirúrgico para humanos e encontrei boa parte do que eu precisava. As seringas de 60 ml por R$ 5, as luvas (100 unidades por R$ 15), as sondas (pacote de 50 unidades por R$ 25) e fraldas. Sim, porque depois de alguns dias ele passou a trocar gradativamente a sonda pela fraldas, vou colocar um post específico sobre essa alegria e alívio para nós dois.

As fraldas foram um problemão porque eu não sabia o tamanho, nem das caninas e nem das humanas que pudessem substituir. Arrisquei uns três modelos e tamanhos diferentes até chegar ao ideal: fralda canina para macho tamanho G e fralda geriátrica tamanho P. As luvas, o ideal são as de vinil pois são mais baratas.
Essa maratona me levou a três grandes aprendizados:

O primeiro é que as lojas de produtos cirúrgicos para humanos merecem muita atenção. Elas estão muito mais bem equipadas para situações como essas que os pet shops.

O segundo é procure os produtos em locais especializados. Farmácias e mesmo o que pode ser encontrado nas pet shops são bem mais caros. As compras em quantidade valem a pena.

O terceiro é que a grande maioria das clínicas veterinárias perde uma boa oportunidade de dar um atendimento a mais para seus clientes. A falta de orientação sobre as compras é muito grande. Desperdiça-se muito tempo procurando aqui e acolá. Fica a sugestão para as clínicas terem uma listinha de fornecedores ou sites para ajudar seus clientes. A confusão na vida é muito grande nessas horas e evitar esse trabalho adicional ajuda muito os donos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A nova rotina


Pela manhã e à noite a rotina passou a ser a mesma e durar aproximadamente 45 minutos.  Mesmo acordando 5h30, com essa novidade, passei a não conseguir mais correr. Pode parecer egoísmo, mas fiquei morrendo de medo de voltar a engordar. Isso porque, cheguei a mais de 30 kg acima do meu peso nos últimos anos e, nos últimos quatro meses, consegui emagrecer mais de 10 kg, além de ter assumido diversos outros cuidados comigo mesma. Precisaria fazer uma escolha que eu não queria fazer. Assim como à noite, pois às vezes trabalho em algum evento ou tenho algum cliente de coaching até tarde da noite, agora sabia que não poderia mais simplesmente cair na cama. Esperava-me uma rotina minuciosa e que precisava de atenção. E como a ansiedade me faz comer, passei a monitorar meu peso diariamente.

Até então Anúbis não urinava por conta própria e estava com diarreia. Nesses primeiros dias o ritual era mais complexo e precisava ser feito duas vezes ao dia. Era composto por:

·         Colocar focinheira – fundamental para evitar mordidas, pois eu estava mexendo em partes do corpo dele que doíam.


·         Calçar luvas cirúrgicas – teve quem achou gasto desnecessário, mas para mim têm sido fundamental pelos seguintes motivos: higiene do cão e minha, e também pela facilidade de manipular o Anúbis. Afinal é uma atitude natural recolher as mãos quando se tem contato com algumas substâncias. Com as luvas calçadas eu passei a ficar muito à vontade com ele e com o que surgisse.


·         Deitá-lo de lado em cima de um tapete higiênico – fundamental tanto para isolá-lo da contaminação do quintal, quanto para ajuda a absorver a urina que vazasse.

·         Colocar a sonda no pênis até chegar na uretra.  Encaixar a seringa para puxar a urina muito devagar.   Fazer a extração da urina (dependendo do dia chegava a 300 ml) – como já disse não vou ensinar detalhes, mas é um procedimento bem delicado e que precisa de muita calma para se feito.


·         Limpar toda a área da cintura para baixo dos dois lados e na barriga com soro fisiológico (erro corrigido posteriormente) –  por mais que eu tomasse cuidado, ele sempre se sujava. Inclusive porque não produzia fezes até porque passou dias sem querer comer, mas ao manipulá-lo para extração da urina, eu sempre provocava algum outro tipo de excreção. A sugestão que eu recebi foi lavá-lo todos os dias com sabão medicinal e enxaguá-lo. Impossível.  Um cachorro de grande porte, difícil de manipular, sendo que eu tenho chuveiro só no andar de cima da casa. Tentei um dia só, com sabão e um balde. Ele ficou todo ensaboado por mais que eu jogasse água. E depois ficou todo molhado. Diante disso vi que soro fisiológico e um paninho bem limpo ou gaze poderiam ser uma opção desde que eu fosse bem detalhista no processo. Ainda não era o procedimento ideal, mas foi o melhor que eu pude fazer naqueles dias.

·         Secá-lo com uma toalha – fundamental para não irritar a pele. Lembrando que, se por um lado Anúbis nunca gostou de secador, por outro o horário em que eu o higienizava, se eu ligasse um secador no quintal receberia multa do condomínio.


·         Passar  pomada contra assaduras nas escaras  (erro corrigido posteriormente) – como ele sempre foi um cão muito ativo, Anúbis não queria ficar quieto. Arrastava-se por todo o quintal. Como o chão é áspero ele ficou todo cheio de feridas logo de cara. E, claro, as moscas começaram a rodear e a pousar. Para cicatrizar, comecei a usar pomadas para bebês. Apesar de eficazes foi um erro. Eu passava a pomada e ele se arrastava pelo quintal. A sujeira grudava na pomada e as moscas também.

·         Dar comida – comer foi um drama nos primeiros dias. Ele não queria nada nem comer nem tomar água.  Caso a situação perdurasse, eu precisaria dar soro subcutâneo nele. Aprendi todos os procedimentos: como tirar o ar do tubo, injetar sob a pele, deixar o soro em lugar alto, regular a quantidade etc. Mas ainda bem que ele resolveu comer, pois não sei se eu conseguiria fazer o procedimento em casa. O medo de não retirar todo o ar do tubo e com isso correr o risco de matá-lo me fizeram não dar soro. Ainda bem que ele resolveu tomar água e sentir um pouco de fome. Passei então a fazer comida caseira para ele: arroz, cenoura e a carne daqueles sachês prontos (sou vegetariana então preferi evitar comprar carne e eu mesma preparar). Dava comida apenas uma vez por dia, porque ele precisava perder peso já que a atividade física – que era intensa – praticamente cessara.

·         Lavar o quintal – por mais que eu tomasse cuidado o quintal acabava ficando sujo. E eu precisava também intensificar a limpeza, já que ele ia se arrastar.

·         Fazer o exercício da toalha (fisioterapia) – para tentar fortalecer os músculos das patas traseiras e também para incentivar a rede neural, ele passou a fazer um exercício todos os dias (vejam fotos). O propósito era fazê-lo firmar as patas traseiras no chão e andar. Foi um fiasco, veja no passo a passo.

·         Trocar o tapete higiênico. – todos os dias até que eu descobri os tapetes laváveis (vejam em post futuro)

·         Tirar a focinheira - o que eu esqueci mais de uma vez

·         Lavar o material reaproveitável – fundamental não deixar para depois porque acumula e dá preguiça


O exercício da toalha - passo a passo ilustrado


Um dos exercícios mais importantes em um cão na condição do Anúbis pode ser feito em casa mesmo. É a fisioterapia da toalha. Cães grandes como ele são mais difíceis, devido ao peso. Eu tive de consertar a minha coluna nas aulas de pilates. E confesso a vocês, não faço todos os dias esse exercício apesar de necessário. Só quando alguém vem me visitar porque para um cão grande a segunda pessoa é fundamental para que tudo saia certo.

O exercício consiste em passar uma toalha ou um cobertor na parte traseira do cão – perto da barriga – e erguê-lo do chão na sua altura normal. Ele ficaria apoiado nas patas dianteiras sustentando o corpo  O apoio da parte traseira seria dado pelas mãos que seguram a toalha. Nesse momento é importante não deixá-lo cruzar as patas – ou descruzá-las se ele o fizer e deixar que ele fique com as patas na posição em que estariam se ele andasse normalmente.  Caso os pés dobrem para trás ajeitá-los na posição normal.  Nessa posição incentivá-lo a andar durante cinco minutos. Caso ele não queria, ir oferecendo petiscos à distância de dois ou três passos para incentivá-lo em cada movimento.  


 


  

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O local adequado


Depois da mal sucedida tentativa de colocar o Anúbis no cesto, optei por um colchão baixinho, no chão coberto por um tapete higiênico. Em termos de praticidade e conforto foi a melhor opção, mas a estrutura do quintal não era favorável. Isso porque fiz uma reforma no final de 2011 que ficou incompleta. Faltaram os vidros que isolariam definitivamente uma parte do quintal de qualquer respingo de chuva. Como o Felipe Wanderley e a Raposinha dormem no canil e o Anúbis, em condições normais se abrigava dentro da casinha e na parte mais protegida do quintal, eu havia deixado os vidros para um momento de mais folga financeira.

Ajeitei-o bem no meio da área coberta. No calor sem problemas, mas se essa situação perdurasse até o inverno os vidros seriam necessários. Ou em dia de muita chuva. Mas, naquele momento, investir R$ 2.500 em vidros estava fora de cogitação. Até que veio a primeira chuva com vento forte quando eu justamente estava fora de casa. “Tadinho”, colchão todo molhado e ele com metade do corpo dentro da casinha. Arrastou-se até lá e tentou entrar para se proteger, mas o quadril e as patas traseiras não conseguiram ultrapassar o degrau.

Enquanto eu não achava uma solução, o deixei cerca de dois dias dentro da casinha. Coitado, quando em condições normais ele se movimentava dentro da casinha, mas, diante da nova realidade, ficava parado. Foi o que eu consegui enquanto não encontrava outra solução

Eu já havia percebido que o esquema do quintal não era o melhor. Tanto devido à chuva quanto pelo ritual diário de higiene e também porque como ele sempre foi um cachorro bastante ativo, ficava se arrastando no chão áspero do quintal provocando ferimentos nas patas traseiras.

O dilema era onde deixá-lo e de maneira que ele ficasse em um local seguro, confortável e higiênico, mas que, ao mesmo tempo fosse prático e me desse condições de cuidar dele sem mexer substancialmente na estrutura da casa.

Em casa, e agora?


Eram mas de três da tarde quando chegamos de volta em casa. A primeira dúvida: onde acomodá-lo? Na casinha, ele não vai conseguir entrar e sair, pois apesar de ele gostar muito dela, a porta é um pouco estreita e tem uma espécie de degrau. Optei por colocá-lo no canil, escavado na parte externa da casa em baixo da escada e onde até então dormiam Felipe Wanderley e a Raposinha. Pensei no conforto propiciado pelos almofadões de espuma rígida. Péssima ideia, ele desceu dos almofadões e não conseguia mais subir,além do interior do canil ser escuro e eu não conseguir fazer a higiene dele lá dentro.

Mudei-o então para o cesto em que ele dormia nas noites de verão. Eu precisava decidir isso rapidamente, pois o peso dele estava acabando com as minhas costas e eu ainda não havia encontrado o melhor jeito de carregá-lo e ele sentia dores ao ser movimentado. Ficou na cesta enquanto eu ia até o pet shop comprar os remédios e os apetrechos de higiene.

Fui a duas grandes redes de lojas especializadas em produtos para cães, além da farmácia para alguns dos remédios. Eram quatro medicamentos, sendo que um deles a caixa com os 10 comprimidos que ele precisava custava 150 reais. Confesso que até hoje não fiz direito as contas do quanto gastei, mas não foi pouco.

Havia tanto por fazer: acomodá-lo era a primeira medida, pois a cesta também não deu certo, percebi alguns dias depois que ele escorregava ao tentar se levantar. Depois o desafio era incorporar os procedimentos terapêuticos e de higiene dele e do local, além dos exercícios físicos. Tudo isso duas vezes por dia, segundo orientação veterinária. Pelas minhas contas cada sessão levaria por volta de 45 minutos.

Nesse momento eu me desesperei. Tanto por mim quanto pelo Anúbis. Por ele, de como seria a vida dele dali por diante, se voltaria ou não a andar e por mim sobre tudo que eu precisaria mudar na minha. No ritmo de vida que eu levo: o trabalho no site, os clientes de coaching e de consultoria, a busca constante por novos clientes, os eventos, cuidar da casa, correr, ir para academia, atividades da pós e de outros cursos de aperfeiçoamento. Tudo isso em uma fase financeira bastante difícil e em uma das piores épocas do ano para quem trabalha por conta própria.

Do que iria abrir mão? Foram horas pensando sem resposta. Afinal ganhar uma hora e meia no dia não é tarefa fácil. Até que resolvi sentar em frente ao computador e montar uma planilha das minhas atividades e do tempo que levo em cada uma e também da importância para mim.

A primeira opção seriam as corridas matinais e a academia, mas justamente quando eu resolvi investir na minha saúde e já conseguira eliminar 10 kg dos 30 que eu havia engordado nos últimos anos? Depois veio a ideia de deixar a pós.  Mas e os convites para dar aula em universidades?Abandonaria mais uma vez? Diminuir o ritmo de trabalho? E como pagar as contas, que já estavam tão difíceis e agora aumentariam? Como reduzir o ritmo de trabalho e ao mesmo tempo fazer caixa para o mês de resguardo posterior à minha cirurgia marcada para março?

Enfim, pensei e repensei e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Deixei os dias passarem e a vida ajeitar. Acabei automaticamente sacrificando as corridas matinais (que foram retomadas posteriormente), a organização da casa e a minha vaidade. Passei a ir para academia apenas à noite (muito incomodada com isso), mas a casa virou um verdadeiro caos.

Em poucos dias não havia mais lugar para sentar no sofá e eu precisava me espremer para deitar em um cantinho da cama de casal devido a tanta bagunça em cima dela. A mesa de jantar tomada por papeis, bolsas e outros apetrechos. A cozinha, uma vergonha. Armários vazios e pia cheia, o que associado à falta de tempo passou a me levar a comer fora. E a comer bobagem para não gastar muito.

As roupas eu já não sabia mais o que era para lavar e o que estava limpo. A vaidade foi embora momentaneamente, o que causou estranheza a quem me conhece, todos os dias com maquiagem completa e em cima do salto.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A tosa e a sonda



Anúbis sempre foi um cachorro lindo. Seus pelos longos chamavam a atenção das pessoas na rua. Mas em momentos como esse é preciso ser racional. Por questões de higiene dele, saúde e também de praticidade com a nova rotina dos rins e do intestino, tosar a parte traseira se tornou necessidade. Foi pena ver passar a máquina naquele rabo de espanador, mas havia prioridades a considerar.

Além da perda do movimento das patas Anúbis parou de fazer suas necessidades por conta própria.  Como ele estava sem comer havia alguns dias, um dos veterinários me pediu cautela, pois as fezes poderiam ainda estar se formando.

A falta de urina era preocupação. Depois de exames de sangue, perfil renal, entre outros, verificou-se que no geral corria tudo bem. Como não havia movimentação na parte de baixo, a urina foi retirada com sonda. Mais de 300 ml, que eu teria de fazer todos os dias, preferencialmente duas vezes por dia. Na clínica fui ensinada a fazer o passo a passo da retirada.


Fiquei surpresa de como eu peguei o jeito logo de cara. Acertei na primeira, mas é um procedimento muito delicado com sonda e seringa. Por essa delicadeza optei por não ensiná-lo aqui. Se não for bem feito pode machucar e facilitar infecções renais. A dica é apenas que é possível e fácil fazer a retirada da urina em casa, mas é fundamental que o procedimento seja ensinado e acompanhado pela primeira vez por um veterinário.


Tudo era incerto e eu não sabia quem estava mais assustado, ele ou eu. Um dos veterinários  me alertou da possibilidade de  sacrifício caso o câncer estivesse em estágio mais avançado do que se poderia imaginar com os exames.

A manhã fatídica


Era manhã de 17 de janeiro de 2013, 5ª-feira. Acordei cedo como de costume – 5h45 – saí para correr. Na volta, fui alimentar os três e ajeitar o quintal. Estranhei quando coloquei a ração do Anúbis e ele não veio correndo, como o bom garfo sempre foi. Estava deitado no quintal, com aquela “cara amassada” de cachorro que dormiu demais.

Nos dias anteriores ele comeu menos e estava meio amuado. Achei que ainda estava “chateado” porque havia ficado sozinho por muito tempo no fim de semana e também nos dias anteriores. Eu havia viajando com a Raposinha para fazer rafting (uma modalidade especial com cachorro) e tive diversos compromissos de trabalho que me fizeram chegar tarde todos os dias naquela semana.

Até que ele levantou e veio. No primeiro passo uma pata caiu. Ele a levantou. No segundo passo caiu a outra pata. No terceiro caíram as duas e ele não levantou mais. A quantidade de pensamentos que me veio na cabeça naqueles 30 segundos foi assustadora, mesmo para alguém hiperativa como eu.

Primeiro pensamento: displasia (por ter a mãe pastora). Segundo pensamento: levar ao veterinário. Ele só gritava e eu não sabia como pegar aqueles 25 kg com a traseira inerte e colocar no carro sozinha. Sem focinheira, ele se debatia e tentava me morder cada vez que eu tentava tocá-lo. Com a ajuda de um cobertor para proteger os meus braços, o coloquei desajeitadamente no porta-malas, devidamente adaptado para o transporte dos cães. Foram minutos terríveis porque eu tentava levantá-lo do chão e ele não deixava, gritava, se debatia e tentava morder. Tirá-lo do carro foi outro drama. Eu não sabia onde doía e tinha medo de pegar de qualquer jeito e ele cair.

Na mesa de exame ouvi o diagnóstico inicial: coluna e recebi o pedido para fazer um raio-X. É curioso como essas situações fazem com que não consigamos raciocinar com clareza. Parecia que um lado do meu cérebro sabia que era algo mais. Afinal Felipe Wanderley tivera problemas de coluna no ano anterior e as patas dele ficaram duras e esticadas e não caídas e inertes. Se por um lado essa gravidade me preocupava, por outro eu pensava se até sábado ele se recuperaria, pois iríamos fazer trilha a pé na Serra do Mar com outros cães e seus respectivos donos.

O passo seguinte foi levá-lo ao laboratório para o raio X. Nunca entendi muito bem por que motivo o laboratório veterinário aqui de Cotia fica em uma casa com uma escadaria em curva para subir. A meu ver seria mais fácil, prático e seguro para todos se fosse em uma casa térrea. Apesar da escada, foi um pouco mais fácil porque ele já estava com focinheira. Foi levado em uma maca com a ajuda de um funcionário do laboratório que nitidamente estava morrendo de medo dele.

Na recepção Anúbis, mesmo com dor, queria brincar. Ele tentava se aproximar dos outros cães que esperavam para ser atendidos. O raio-X foi uma operação de guerra. Ele não deixava, se debatia, gritava e por vezes quase caiu de cima da mesa. Confesso que perdi o controle e, em alguns momentos, em vez de tentar acalmá-lo, eu briguei com ele.

Peguei o exame e voltei para o veterinário. Não havia funcionário disponível no momento para me ajudar na escada então resolvi pegá-lo no colo e encarar a descida sozinha. Cada passo eu morria de medo de cair com ele no colo.

De volta ao veterinário, o exame mostrou um diagnóstico dúbio: ao mesmo tempo que indicava sete bicos de papagaio – como tivera Felipe Wanderley no ano anterior – havia uma desconfiança de neoplasia, uma espécie de câncer ósseo.

Ouvi quatro opiniões diferentes nesse dia. Alguma contraditórias em relação à gravidade e à origem da paralisia. Naquele momento percebi também as minhas limitações em relação ao tratamento dele. Tenho uma pequena empresa em casa, ainda em fase de estabilização financeira. A doença surgiu em janeiro, uma das piores épocas para o meu tipo de trabalho. Este ano, para piorar, tudo aconteceu a um mês de eu ser submetida a uma cirurgia que me levaria a 40 dias de repouso absoluto.

Ficou claro naquele momento que não poderia avançar muito com o tratamento. Para saber a fundo o que houve com ele seria necessário uma tomografia com preço chegando perto dos R$ 1 mil reais e uma cirurgia na coluna para poder colher material e mandar para exames. Ou seja, para diagnosticar detalhadamente eu gastaria pelo menos três mil reais além do tratamento já em curso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A rotina da casa


Dizem que cachorro gosta de rotina. Se dependesse disso não haveria cachorro em casa, pois rotina lá não existe. Meu trabalho não tem horário fixo, exige viagens e eu também não sou lá de fazer as coisas todos os dias na mesma hora. Com os cachorros até que eu tento, mas nem sempre a comida e os passeios saem no mesmo horário. Às vezes eles reclamam, outras vezes não. O único hábito é acordar bem cedo, inclusive nos fins de semana. A minha falta rotina, principalmente devido ao trabalho atrapalha quando eles ficam doentes, pois nem sempre consigo respeitar a regularidade necessária dos remédios.

Os três costumam ficar no quintal e, no máximo na cozinha. Devidamente separados por um portão porque Anúbis e Felipe Wanderley não se dão bem. Dentro de casa só quando está muito frio ou chovendo muito forte.

O restante da matilha




Além de mim e do Anúbis, a casa conta com dois outros moradores: Felipe Wanderley e Raposinha. Felipe é um vira-lata preto e branco (tipo cachorro-vaquinha) de 14 anos e porte médio. De temperamento pacato, é aquele  cachorro para quem tudo está bom. Quietinho, adora pessoas e outros animais. Foi o companheiro da minha mãe até 2008. Desde que ela morreu, naquele ano, passou a morar conosco. Anúbis não gosta muito dele, pois tem ciúmes da Raposinha.







Raposinha, como o nome já diz, é uma vira-latinha com jeito de Raposa. Tem 11 anos, como Anúbis, e personalidade única. Apesar da idade, é muito travessa. Sobe em tudo e não pode ver uma frestinha aberta que já quer escapara para a rua. Adora fazer graça para as pessoas, mas é ciumenta com animais estranhos. As peraltices da Raposinha mereciam um blog. Quem sabe um dia... Ela e Anúbis estão sempre juntos.

A tutora do Anúbis


Adotei Anúbis quando ele tinha dois meses de idade. Na época eu era voluntária de um abrigo de animais abandonados, o qual havia ido fotografar. Ao entrar no canil, me encantei com aquele vira-latinha com jeito de pastor alemão. Ele ficou me seguindo com o olhar até que o levei para casa para conviver com o meu outro cão – Felipe Wanderley – na época com quase três anos. Isso foi em 2001.

Meu nome é Karen, tenho 46 anos, moro em um condomínio na Granja Viana com Anúbis e mais dois cães. Sou jornalista especializada em estratégia empresarial; geógrafa especializada em gestão do Terceiro Setor e meio ambiente e coach. Trabalho parte do tempo em casa e parte do tempo nos meus clientes. Tenho uma pequena consultoria que oferece projetos de comunicação, sustentabilidade e processos de coaching empresarial e pessoal. Saio pouco, mas adoro atividades diurnas principalmente ligadas à natureza. Pratico meditação em casa mesmo e faço atividade física quase todos os dias (pelo menos uma caminhada). Sou taoísta pouco praticante.

Quem é Anúbis

Anúbis é um mestiço de Pastor Alemão com vira-lata nascido - acredita-se - em novembro de 2001. Com cinco irmãos foi abandonado em um caixinha em uma praça e recolhido por um abrigo de animais abandonados, onde eu o adotei com dois meses. Quando pequeno, parecia muito mais com um vira-lata. A carinha de pastor, o pêlo comprido e o rabo tipo espanador foram surgindo com o tempo. É ligeiramente mau-humorado e gosta de ele escolher seus amigos humanos. Demora um pouco para confiar em pessoas e deixa claro que a iniciativa de interação precisa partir dele. Com outros cães é bem sociável, principalmente com os de pequeno porte. Sempre participou de cãominhadas e passeios coletivos. Adorava longas caminhadas - principalmente em parques e trilhas - e em ritmo forte. É muito comunicativo. Seu olhar e suas atitudes "falam" muito, o que tem facilitado os cuidados no estágio atual.

Durante seus seis primeiros anos de vida correu solto em um quintal de 200m quadrados cheio de árvores na Zona Norte de São Paulo. De 2008 para cá passou por três outras casas - sempre comigo - mas com espaço mais reduzido. Daí começaram os passeios. De abril de 2011 até janeiro deste ano ele tinha à disposição para correr e brincar um quintal de 40m2, na Granja Viana, em Cotia, na regiao metropolitana de São Paulo, com passeios de 40 minutos três vezes por semana e corridas semanais de aproximadamente cinco quilômetros no parque Cemucam aos domingos.

No dia 17 da janeiro de 2013 tudo mudou. Nessa data ele perdeu o movimento da cintura para baixo. Foi nesse momento que eu percebi como a falta de informação pode complicar o tratamento e a rotina do animal e também pode influenciar muito no cotidiano do dono. Depois de diversas tentativas e erros para tentar dar a melhor qualidade de vida possível a ele sem alterar muito a minha, decidi fazer este blog com dicas que vão desde as possibilidades de tratamento, perguntas que esquecemos de fazer ao veterinário, até como arrumar a casa para a nova rotina e os cuidados diários com o cão. Espero que ajude aqueles que estão passando pelo mesmo problema.