O lado “bom” de ter o diagnóstico definido foi o de
conseguir saber que rumo seguir. Como eu gosto de ter as coisas organizadas,
fazer tudo planejado e com parâmetros, saber definitivamente que ele não
andaria mais me ajudou a nortear a nova rotina. Enquanto a dúvida pairava, além
da angustia, do abalo emocional, havia a incerteza da vida, de como as coisas
iam seguir.
Agora eu sabia que: ele precisaria de um carrinho para se
locomover, o quintal não era mais uma opção de vida, o prazo entre os banhos
diminuiria e ele precisaria emagrecer. Justo ele, o comilão da casa. Chamei
novamente a minha amiga que chegou cheia de ideias e apetrechos.
Fato:
precisávamos mudá-lo para dentro de casa. Depois percebi como a vida ficou
muito mais fácil com ele dentro, mas no começo foi complicado. Eu tinha receio
de ele se machucar com tantos móveis – confirmado depois – e nessa hora alguns
fatores emocionais pesaram. Durante a infância e a juventude eu vivi em uma
casa muito “bagunçada”, cheia de improvisos e quebra-galhos e o meu sonho
sempre fora ter uma casa “bonitinha”, daquelas de revista. Isso não tem nada a
ver com mania de organização e limpeza – pelo contrário, quando eu “bagunço” eu
“bagunço” mesmo a casa – mas que tivesse certa ordem interna e externa. Passara
por algumas casas antes, mas essa foi a que eu escolhi, do meu jeito, em um
lugar que eu “namorei” mais de 10 anos antes de conseguir mudar. E mais: eu
tinha planos de atender alguns clientes em casa. Como fazer uma sessão de
coaching ou de consultoria em um ambiente adaptado e que, certamente, a
situação do cão tiraria a atenção do cliente? Outra alteração definitiva na
rotina: cachorro dentro, cliente fora.
Minha amiga chegou com um pedaço de mais ou menos dois metros quadrados de
forração emborrachada com estampa imitando madeira. Colocamos em um canto da
sala, como se fosse um tapete entre o sofá e a TV, bem em frente à porta de
vidro que dá para o quintal. Como o chão da casa é de madeira, até que
“combinou”. Colocamos um colchonete com
capa plástica, coberto por um tapetinho higiênico.
![]() |
Tapete higiênico lavável |
Dica: como
no caso do Anúbis o tapetinho higiênico funcionava mais como uma “garantia” em caso
de vazamento da fralda, optei por um modelo reutilizável. Sim, há tapetinhos
reutilizáveis no mercado. Custam menos da metade de um pacote com 30 tapetinhos
descartáveis e, segundo o fabricante, duram de 3 a 4 meses. Não sei se usaria
em casos de o cachorro usar o tapetinho diretamente para fazer xixi, mas como
acessório adicional, achei ótimo. Comprei dois porque, apesar de úteis,
práticos e de fácil limpeza, eles demoram a secar. Troco a cada três ou quatro
dias. A lavagem é simples. É só deixar algumas horas de molho em um balde com
água, sem sabão ou outros produtos químicos. Sai tudo. Depois é só colocar para
secar, o que demora um ou dois dias, pois o tapetinho tem uma base plástica
onde acumula a água da lavagem e que precisa escorrer toda durante a secagem.
Mesmo assim, mantenho um pequeno estoque de tapetinhos descartáveis, inclusive
para o “kit passeio” que terá um post específico.
Cantinho do Anúbis
Devidamente acomodado dentro de casa, Anúbis agora provocava
“inveja” na Raposinha e no Felipe Wanderley. O “cantinho do Anúbis” fica bem
perto da porta de correr em vidro, que liga a sala ao quintal. Porta essa que
eu deixava parte do dia aberta, apenas com um “portãozinho de cachorro”,
separando-os. Com isso ele conseguia
olhar os passarinhos e o movimento dos dois outros cães. Inclusive podia
“rosnar” para seu desafeto, Felipe Wanderley, quando esse corria no quintal. Felipe é três anos mais velho que Anúbis. Os
dois se davam bem até a chegada da Raposinha. Mesmo com todos castrados, a
presença de uma fêmea – que já está conosco há oito anos – gerou animosidades.
É o velho e conhecido triângulo amoroso.
Quem menos gostou da historia foi a Raposinha. De porte
pequeno, ela sempre teve acesso mais livre à casa que os dois. Agora ficaria a
maior parte do tempo no quintal. Inconformada, ela tentava pular o portãozinho
do quintal para dentro (o poder de impulsão da Raposinha é impressionante). Nas
vezes que teve sucesso quase caiu em cima do Anúbis.
Eu deixava essa porta aberta até quando saía por pouco
tempo, mas mudei de ideia no dia em que ele resolveu ir até o quintal. Como ele
não sente mais a parte traseira, não percebeu que “enganchou” as patas nos vãos
do portão e acabou arrastando-o quintal adentro. Cheguei em casa e Anúbis estava
no meio do quintal, preso no portãozinho.
Para evitar que ele se machucasse, ao sair de casa eu
“cercava” o cantinho dele. Colocava uma madeira entre a mesa da TV e o sofá,
calçada por um banco. Até que ele percebeu que conseguia empurrar a barreira e
andar pela sala toda.
Precisei novamente mexer na rotina quando cheguei um dia em
casa e a sala parecia que havia passado por um “tsunami”. Nas suas “andanças”, ele prendeu perna na
mesa da sala de jantar. Como Anúbis é muito forte, ele arrastou a mesa até o
centro da sala, derrubando as seis cadeiras. Não sei como a cobertura de vidro
ficou intacta.
Diante do “quase acidente” optei por montar uma segunda
estrutura para ele na cozinha. Comprei alguns metros de passadeira de borracha
e coloquei no chão. Quando saio de casa, coloco o colchão dele sobre essa
forração e o deixo na cozinha. Lá os móveis são chumbados nas paredes e não tem
pés. O espaço é pequeno, mas pelo menos não há risco de acidentes.
Karen, ele vai ficar super feliz com a cadeira de rodas, percebo por esse post, que ele esta super adaptado com sua nova situaçao!! Desculpa te perguntar, acho que vc ja comentou sobre isso, mas não me lembro, é por curiosidade!! Ele faz as fazes sozinho?
ResponderExcluirAbraço,
Gislene